Dia 104 – Marcas no Mundo

legado de Deus

1 Reis, 15:3-5 – (3) Ele andou em todos os pecados que seu pai tinha cometido antes dele; o seu coração não foi perfeito para com o Senhor seu Deus como o coração de Davi, seu pai. (4) Mas por amor de Davi o Senhor lhe deu uma lâmpada em Jerusalém, levantando a seu filho depois dele, e confirmando a Jerusalem; (5) porque Davi fez o que era reto aos olhos do Senhor, e não se desviou de tudo o que lhe ordenou em todos os dias da sua vida, a não ser no caso de Urias, o heteu.

Nascemos e, mesmo na ingenuidade de nossa inconsciência, marcamos o mundo. Somos as centelhas vivas de Deus habitando o mundo e fazendo dele um mosaico de nossos desejos, perfeições e imperfeições.

Herdamos de Deus o legado de compreender o mundo como um caminho repleto de pedras a machucar os nossos pés, mas também como uma escola onde desnudamos a nossa própria luz. Somos parte de um todo e, indivíduos, nos tornamos a força que muda o caleidoscópio do mundo.
Deus olha os nossos passos e, iluminando o caminho, mostra onde quer que cheguemos. Somos empurrados pela inspiração ou pela tentação, mas nos movemos como seres únicos. Deus, porém, compreende o todo. A individualidade é o que nos faz, mas Deus, criador, é a consolidação de tudo e, através dele, somos capazes de enxergar os elos que formam a corrente.
Ele não concebe o ódio, pois ele é o anverso de sua essência, e sua existência se dá somente para jogar luz na própria divindade. Assim, as heranças dos elos não são a ira de Deus, mas apenas e tão somente a beleza do amor que cerca o mundo. Deus é eterno e repleto da matriz do mundo e sua existência é atemporal. Mas a maestria de seu balé reside exatamente na sua capacidade de reter, deixar deitar-se em sua mesa, apenas aquilo que ajuda suas centelhas espalhadas a compreenderem a majestade da consolidação e, portanto, as heranças que permite é o bem viver.
David foi vivo e reto. Seguiu a lei de Deus não pela conveniência de agradar a um Deus que lhe era superior, mas pelo desejo incontrolável de ser o próprio Deus na Terra, santificando-se em seus atos. Não quis, em nenhum momento, transpor a linha que o separava das alturas pois se compreendia ferramenta nas mãos de Deus para que a justiça de sua sabedoria, construída passo a passo, tornasse a vida de seus irmãos melhores e mais próximas de Deus. Ajudou a Deus com seu candeeiro, e nunca quis ser a lanterna do mundo. Errou, e mesmo em seu erro reconheceu a superioridade de Deus em sua vida. David percebeu a incoerência de ser mais que Deus pelo simples fato de fazer parte Dele.
O reconhecimento disso nos torna melhores. O reconhecimento de Deus não é uma forma de perceber-se acima dos que não percebem o pertencimento, mas uma forma de reconhecer-se menor que o todo. Nem sempre nos damos conta da importância orgânica de compor, mas é exatamente por esse reconhecimento que nos tornamos mais próximos. Jorramos em nossos poros a centelha que nos compõe, e reconhecer que isso nos torna menores que nosso ego apregoa, nos torna ao final maiores que tudo pois afinal nos tornamos parte do universo todo, criado e componente do Deus que acreditamos.
E essa beleza, a de compreender o comando e principalmente o papel na presença divina na vida é que nos torna capazes de deixar o legado. Mais uma vez, o ódio e a maldade são componentes que Deus criou para contrapor-se e, por lógica, consolidar a sua presença. Ele não se preocupa com as coisas menores, pois seus exercícios refletem diretamente na consolidação da sabedoria, humilhando e fazendo sofrer e, finalmente, fazendo elevar-se. Deus, por outro lado, traz a si a bondade e a bonança de consolidar no mundo, livre através de seu arbítrio, as suas inspirações em nossas mentes. E isso, essa herança bendita, é o que deixamos, assim como David deixou, a nossos descendentes.
Deus observa, analisa e abraça a causa verdadeira da vida. A consciência da distância entre o bem e o mal, entre a inspiração e a tentação, entre o humano e o desumano. Ele nos quer retos em nossa humanidade imperfeita, percebendo as diferenças.
Deu-nos olhos para vermos o mundo. Deu nos sentidos para o que sentirmos. Mas Deus deu nos também os olhos da alma para percebermos o que há alem das superfícies, além do tacteável. Por ele temos a oportunidade de sermos mais Davids e seguir o caminho da santidade de seus passos.
Isso faz-nos marcar o mundo. Eis o milagre de Deus.
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