Dia 103 – A Lição de Salomão

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1 Reis, 11:4 – Pois sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e e seu coração já não era perfeito para com o Senhor seu Deus, como fora o de Davi, seu pai;

1 Reis, 11:6 – Assim fez Salomão o que era mau aos olhos do Senhor, e não perseverou em seguir, como fizera Davi, seu pai.

1 Reis, 11:11 – Disse, pois, o Senhor a Salomão: Porquanto houve isto em ti, que não guardaste a meu pacto e os meus estatutos que te ordenei, certamente rasgarei de ti este reino, e o darei a teu servo.

Deus é antes de mais nada, justo. Ele estabelece o seu pedido, embute em nossos corações seu desejo, e nos dá condições para que o realizemos segundo esse desejo. Este é o sólido caminho pelo qual estabelece a moral de sua participação em nossas vidas.

Olhando um pouco para trás, percebemos a unidade da história da relação dos filhos com Deus. Sempre, a princípio, nos dispomos a ouvir a voz inspiradora que mantém as nossas vidas no caminho que ele espera. Sabemos que este é o caminho que fará o mundo ser melhor, e nos dedicamos. Sentados ao lado de sua cadeira de balanço, ouvimos atentamente a sua doce voz a nos indicar, pela inspiração, os caminhos bons a seguir. A felicidade, de eufórica, se torna partícipe e, por fim, representação da vida. 

O coração humano vive de novas emoções. A nossa maior dificuldade é suportarmos o cotidiano, o desdobrar natural das coisas, a paz que se estabelece. Nossas mentes caçadoras precisam de desafios, e o status quo é uma seara onde paramos para beber água, e não para morarmos. 

Buscamos novos caminhos, semeamos nossos desejos e, por fim, permitimos que os demônios que criamos se instalem e nos tentem a novos desafios. Humanos, somos susceptíveis às maravilhas da inspiração e também às desgracas da tentação. Ambas nos colocam na boca o doce sabor da aventura, da novidade, das novas fronteiras a avançar.

Na verdade, Deus nos dá o indicativo do que espera de nós, que sejamos perfeitos e santos. Ele quer que nos conscientizemos de que fazemos parte do que ele mesmo é afinal, ou seja, um ser confortável. Que se senta em sua cadeira de balanço e pacientemente espera ser convidado a, por sua voz e sabedoria, inspirar-nos. Como humanos, somos exatamente o inverso disso, seres fúteis que buscam desesperadamente a construção da própria sabedoria e que dispõem toda a sua energia na busca incessante de novos desafios. Com isso, Deus nos dá o caminho do desafio verdadeiro a que somos submetidos que é experimentar a sua consciência pacífica e inspiradora.

Salomão pediu a Deus sabedoria, mas não tinha ombros suficientemente fortes para carregar a bolsa de pedras. Sem solidificar suas muralhas, colocou pedra sobre pedra,  esquecendo-se que a vida e suas lições são o cimento que consolida-a. Por conta disso, imaginou-se capaz de erguer a casa onde habitaria Deus e, depois de dedicar-se, e dedicar o caro suor do rosto de seus súditos, percebeu que Deus é o próprio mundo e, portanto, tudo o que fizermos será pouco para ele. Templo erguido, viu que o maior de todos os templos era a sua própria alma, o seu sentar e permitir-se inspirar. Cedeu à carne a seguir e, tomando muitas mulheres, tomou-as fora de Israel e participou de rituais de suas crenças, cultuando a outro deus.

Ora, seu erro foi crucial. Somos seres livres para decidirmos em nossos íntimos, na sala que nos define, nossos destinos. Lá, somos convidados pela percepção a deixar-nos inspirar por Deus ou sermos levados pelos demônios inexistentes que nascem da loucura do vazio, tentando-nos. Deus espera que nos deixemos inspirar e que não permitamos ser tentados. Ao final da vida, Salomão deixou-se levar pelos prazeres e buscou que os demônios permitidos sentassem-se na cadeira de balanço, irando a Deus.

No mundo, cada um tem seu detino e lugar. Cada um desempenha sua ação buscando completar o mundo todo, e isso também vale a Deus inspirando e aos demônios permitidos tentando. Não há integração deles a não ser na criação, que foi feita por Deus. Ele nos aceita exatamente como somos, e busca com sua voz nos inspirar a sermos melhores, tais como ele.  Ele, em sua grandiosidade e compaixão, deixa-nos inclusive cedermos às tentações, distanciando ou aproximando nossa sabedoria da fonte original que nos desenvolvera. Entretanto, ele não nos permitirá subvertermos as coisas de forma a realocarmos cada um dos seres, e este é senão o maior de todos os pecados. E este foi o pecado de Salomão.

Ao final, vemos que Salomão foi humilde ao pedir sabedoria. Imaginou-se uma mente sabia, e demorou a vida toda para perceber que não foi isso que aconteceu. Sim, sim, em sua bolsa haviam as pedras, mas isso não lhe dava a muralha. Ele tinha as palavras, as ideias, as nuvens de conceitos que o definiriam como sábio e, por isso, foi louvado pelos homens como um rei majestoso. Entretanto, em seu íntimo, ele pecava por achar-se superior, sublevando a humildade inicial, e sobre essa sensação, pecou contra Deus. Primeiro por não haver compreendido a magnitude dEle, imaginando-se capaz de erguer uma casa ao seu nível. Depois, por haver sucumbido à própria carne, imaginou-se capaz de subverter as posicões de Deus e os demônios permitidos.

Imaginou-se sábio, mas afinal mostrou-se tolo. Somos vivos para sermos tocados pela inspiração, e deixar-nos levar por isso é a verdadeira sabedoria. Conscientizar-se disso, ao final, levou Salomão, velho como todos, iguais a todos os outros homens, a compreender e, assim, finalmente construir sua muralha.

A vida é necessária para que sejamos efetivamente sábios. Eis a lição de Salomão.

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