Dia 100 – Te Quero Sábio

IMG_1954.JPG

1 Reis, 3:28 – E todo o Israel ouviu a sentença que o rei proferira, e temeu ao rei; porque viu que havia nele a sabedoria de Deus para fazer justiça.

Num determinado momento da vida percebemos a solidão. Ela não se aloja pois sempre esteve lá, e o que havia no vazio era a nossa incapacidade de perceber que ela fazia e faz parte integrante. Ela não só é parte integrante como é pedra fundamental para o atingimento da maturidade.

Percebendo que todos na verdade compõem o mundo exterior e que aquilo que nos dirige está dentro, nos leva a uma primeira onda, o deleite do poder. Nela conscientizamo-nos de que não há limites além do desejo e que querer é ter pois a consolidação depende do querer. As concretizações estabelecem ganhos e por ele vemo-nos gradualmente superiores até que sofremos as perdas decorrentes da inconseqüência. Via de regra perdemo-nos no desejo e somos cobrados pelas consequências. De positivo herdamos as boas coisas que criamos, mas também restam-nos as angústias e dores das consequências e o medo de errar novamente.

Chegamos à segunda onda da solidão: a reclusão. O medo e o tempo perdido na reconstrução criam muralhas que nos apartam do mundo. Tornamo-nos castelos fortificados, distantes e impenetráveis. Solitários reinamos nas poucas e destruídas terras que nos restam tentando preservar o fino fio de vida que insiste em estar ali. Tal como o medo e a culpa, a solidão corrói e a loucura parece uma boa saída para acalmar aquela alma.

Suando o próprio sangue, envolto na tempestade de emoções, olhos cobertos de lágrimas, sentimos a presença, naquele quarto da solidão, de alguém. O medo é o primeiro a chegar petrificando os músculos pois a muralha fora invadida. Devastada, não tem onde se esconder e pular os muros é entregar-se novamente ao mundo que quer destruir-nos. Ali o tempo passa e como pássaro que vence o medo de altura vamos sentindo que ele não oferece perigo. Simplesmente está lá, absorto, mirando a nossa existência.

Monstros de mil cabeças povoam a nossa mente frente a sua presença. Somos invadidos, ciclicamente, por angústias e esperanças que se intercalam num balé místico. E um rompante de clareza explode e claro como o sol intuímos que ele é Deus. Ele é aquele que contém e que nos pressupõe e que tudo pode. Ele lembra-nos da primeira onda, aquela do poder supremo que nos enclausurou e nos fez sofrer tanto.

A terceira onda nos toma. Vemos sua passividade, tranquilidade, mesmo convivendo naquele deserto destruído. Ele que possui todo o poder, ele que poderia ter-nos poupado, ficou ali calado obsevando a degradação daquele que chama de filho. A raiva, terceira onda, avassala o coração e arranca as pequenas gotas de amor que restaram. Ajeitamos tudo e nos jogamos sobre ele, sedentos por vingança. Odiamos sua existência, sua presença e sua abstenção à nossa dor. Jogando o corpo sobre ele somos detidos por sua reação, flutuamos e finalmente caímos ao seu lado. A raiva aos poucos vai dando lugar à consciência de nossa impotência frente ao poder de fato.

Quarta onda, sentamo-nos ao seu lado e ficamos imaginando o que lhe corre pela cabeça. Investigamos, analisamos e vamos chegando cada vez mais perto. Sem violência vemos que ele nos permite aproximarmos e, pode até parecer bobagem, é até possível ver seu sorriso. Tomados pela inconsciência do momento e deixando para trás o medo da experiencia do poder, tocamos sua mão e, voz trêmula, atrevemo-nos a perguntar “Porque?”.

Girassóis se abrem pela luz que ilumina o quarto da solidão. Os muros caem por sua obra num estalido e pássaros gorjeiam ao fundo dizendo de nossas vidas. Seus olhos brilham e ele responde: “Te quero sábio”.

A vida são ondas que seguem sua sequência naturais. Sem segredos, mas caminhos. Vivemos para sermos sábios.

Anúncios

2 comentários sobre “Dia 100 – Te Quero Sábio

    • Deus não pune, ele permite que, humanamente, nos punamos. Ele respeita as nossas decisões e permite-nos colhermos as flores ou os espinhos conforme aquilo que plantamos. A vida nunca deve nos assustar. Devemos seguir a vida fazendo o bem e compreender que existe sempre algo a mais, afinal de contas “ainda que eu falasse as línguas dos anjos, sem amor eu nada seria”. Precisamos compreender que os demônios não existem e são só fantasias de nossas mentes a desviar nos de Deus. Ele estará sempre lá, nos esperando.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s