Dia 98 – Governos Justos

justiça social

2 Samuel, 23:3-4 – (3) Falou o Deus de Israel, a Rocha de Israel me disse: Quando um justo governa sobre os homens, quando governa no temor de Deus,  (4) será como a luz da manhã ao sair do sol, da manhã sem nuvens, quando, depois da chuva, pelo resplendor do sol, a erva brota da terra.

Essa é a preciosidade da palavra. Ela é capaz de armazenar em seus desenhos a realidade que a cerca. Palavras armazenam histórias e por elas faz-se o mundo que a cerca. Em alguns momentos pego-me vasculhando a minha mente para achar as palavras certas que nem sempre me vêem, mas quando veem, marcham em assalto na vastidão do êxtase da compreensão.

Para compreender esses versículos precisamos voltar um pouco atrás, antes de Saul. Antes da unção dele e depois de Moisés, Deus criou a sua lei e exigiu que fosse seguida. Criou os juízes e eles garantiam que a Lei fosse seguida. O povo então pediu um rei que o governasse.

Deus não ficou completamente satisfeito mas aceitou, lembrando que, independentemente da majestade, nada deveria sair do campo da exigência da estrita obediência à lei. Saul, humano, desviou-se até que Deus optou pela unção de David. Ele, ao desejar a mulher do próximo e sendo responsável pela morte do marido, desviou-se fortemente e pagou pelo seu erro.

Assim, percebemos o que está por trás das sábias palavras de Deus nesses versículos. A governança, essa ação de conjunção de desejos para o bem social, deve obrigatoriamente ser exercida sobre dois parâmetros fundamentais: a justiça e o temor a Deus.

Em relação à justiça, basta lembrar que devemos ser benignos a quem nos é benigno, puro a quem nos é puro e avesso a quem nos é perverso. Se conseguirmos manter esses preceitos, principalmente por dotar o perverso a permitir a inspiração, seremos justos. Isso é o que se espera de um governante.

Por outro lado, ele pede-nos que o temamos. Em uma época em que os governos são laicos, independentes da igreja, isso parece um contra senso, mas não é. Primeiro porque o governante não é o estado, mas o eleito a administrá-lo. Assim, o estado é a lei que o rege e não o governante. Temer a Deus, portanto, é um requisito pessoal e não de estado e não confronta a obediência ao estado laico. Além disso, a obediência e o temor não pressupõem o  culto, mas seguir o preceito moral expresso na lei de Deus. Essa é uma questão moral e teológica e não religiosa.

Quando o governante é justo, ele indiretamente teme a Deus pois compreende os resultados deletérios do exercício fora da seara do aceitável. A justiça é um requisito mas, antes de mais nada, é o elo que nos torna partícipes de Deus no decorrer da vida. O governante justo é o filho do divino que comunga com o sopro que lhe faz consciente de participar do Deus criador.

Além disso, é preciso compreender a força que sustenta o Estado. Ele é uma entidade que tem por objetivo garantir que o bem comum seja mantido e que todos tenham uma vida digna para que tenham a possibilidade de dedicarem-se a construir suas histórias como exemplos de amor à unidade que pertencem e se permitam inspirar. Com isso a justiça do governante permite a divindade descoberta dos irmãos de sopro e consolida as suas sabedorias culminando portanto na consolidação da razão de nossa existência. Enfim, governar é pastorear para garantir que os irmãos de sopro se permitam inspirar e atinjam a consciência da existência.

David foi um exemplo. Ele foi santo e humano, e em ambos mostrou-se divino pelo reconhecimento. Desafiou o medo enfrentando Golias, quando todos o temiam, por se amparar em Deus. Honrou a unção de Saul mesmo sendo escolhido, e somente tomou seu reino quando o herdou. Pecou gravemente sendo responsável pela morte de Urias e pagou pelo seu erro, resignando-se. Finalmente, ao final da vida, baseado em sua sabedoria consolidada, compreendeu a extensão de seu legado e, pelas palavras se perpetuou.

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