Dia 97 – Mais que Espelhos da Bondade

fraternidade

2 Samuel, 22:25-27 – (25) Por isso me retribuiu o Senhor conforme a minha justiça, conforme a minha pureza diante dos meus olhos.  (26) Para com o benigno te mostras benigno; para com o perfeito te mostras perfeito, (27) para com o puro te mostras puro, mas para com o perverso te mostras avesso.

Uma mensagem forte e impactante de David em seu testemunho. Ele, abençoado desde muito jovem quando ainda tocava sua arpa e pastoreava seu rebanho até o limiar de sua velhice, conseguiu sintetizar a maior de todas as verdades do mundo nestes versos.

Ele começa dizendo que o Deus o retribuiu com a justiça que ele colocou em prática. Deus em seus desígnios nos descreve o caminho através da suavidade de sua voz inspiradora. Através dela nos dá a sugestão de por onde seguir e como criarmos a nossa própria justiça. Como insisti várias vezes, a vida é uma escola onde, seguindo o homem e seu candeeiro, conseguimos ver as pedras do caminho e ferindo-nos, nos antevemos à dor. Seguir a Deus não é se omitir à dor nem seguir caminhos onde ela não esteja, mas compreender a sua importância e o seu momento. Deus nos dá a segurança de nossa capacidade de vencer desafios. Assim, tijolo sobre tijolo, passo a passo, construímos a nossa própria justiça e trilhamos o caminho.

Deus não espera de nós a perfeição, mas a busca incessante da capacidade de sermos justos para com quem nos cuida da vida. Ser feliz é contemplar a paz derivada da justiça feita. Deus nos dá, através da vida que escolhemos, conforme aquilo que semeamos no mundo e colhemos de nossas flores. E a nossa justiça não é para ser partilhada, propagandeada, mas sim vista por Deus e pela pureza de nossos olhos. Se permitirmos construir as nossas relações pela compaixão veremos puramente em nossos olhos aquilo que nos torna justos e Deus vê isso através deles pois somos Ele. Através da nudez pura somos capazes de ver a beleza terna daquilo que plantamos e colhemos.

Permitidos pela justiça baseada naquele que originalmente soprou-nos nas narinas, criamos a docilidade de refletir aquilo que nos é presenteado. Ao benigno, aquele resoluto ser que lastreia sua compressão pela verdade que lhe diz ao coração pela inspiração, sendo justos, não nos resta nada além da exigência da contrapartida da benignidade no tratamento pois isso é a santidade sugerida na inspiração original. Da mesma forma cabe o tratamento ao puro pois ele é privado dos vícios adquiridos naquilo que não se solidifica na sabedoria e cabe-nos sermos tal qual.

Este é um exercício vivo. Cabe-nos olharmos além de nossas fronteiras e aprendermos a ecoar os sons que reverberam em nossa consciência. Ser Deus aqui é deitar o corpo na maciez do gramado do jardim. Precisamos ser o que os outros nos são e mimetizarmos a sabedoria daquele em sua cadeira de balanço que inspira quando convidado. Mas Deus quer mais de nós: quer nos santos, e ser santo é ser além do espelho da bondade e da pureza. Ser santo é usar das pedras consolidadas da sabedoria para torná-las degraus aos irmãos que, sustentados pela sua solidez, sejam capazes de construir a própria sabedoria.

Não há outro caminho para isso senão pela justiça inicial clamada por David e isso vale para o momento da provação quando somos tratados com perversidade. A perversidade é um momento único quando a justiça dá lugar ao desejo próprio e inconsequente. Por ela não nos cabe o mundo, mas nos são tiradas as cordas que nos sustentam, os tesouros que conquistamos, e isso pela força ou deturpação da verdade. Neste exato momento é que Deus espera muito mais de nós. Ele espera que reconheçamos na adversidade que aquele momento é perverso e deve ser tratado pelo seu avesso, ou seja, com justiça amorosa.

Isso requer muito de nós. Exige antes de mais nada o reconhecimento de que os fatos não se resumem a si mas às circunstâncias em que se inserem e que desprender-se eleva a alma. Esse exercício inverte a análise lógica e isso é deixar-se tomar pela porção da centelha que nos define. Esse é, sem dúvida nenhuma, o maior desafio humano quando consciente de sua divindade. Rasgar as roupas e devolver com amor a perversidade do exílio da justiça.

De um modo geral, Deus espera de nós a capacidade de compreendermos a profundidade dos desafios. Ele espera que compreendamos a diferença crucial entre a inspiração e a tentação não só em nossa alma, mas no outro que nos é perverso. Esse é o maior desprendimento  que ele nos pede e a maior prova de que somos capazes de sermos, mesmo que pontualmente, um pouco do Deus que Ele espera.

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