Dia 94 – Condenado e Sábio

prostar-se
2 Samuel, 12:21-23 – (21) Então os seus servos lhe disseram: Que é isso que fizeste? pela criança viva jejuaste e choraste; porém depois que a criança morreu te levantaste e comeste. (22) Respondeu ele: Quando a criança ainda vivia, jejuei e chorei, pois dizia: Quem sabe se o Senhor não se compadecerá de mim, de modo que viva a criança? (23) Todavia, agora que é morta, por que ainda jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei para ela, porém ela não voltará para mim.

A vida é um fluxo. A correnteza corre num sentido único e não há como não respeitar essa natureza. Vivemos e morremos,  não há nada que possa alterar essa realidade.

David cometeu um erro e tentou a partir de sua humilhação reverter a decisão de Deus de tomar-lhe o filho, mas ele foi justamente inflexível.  Tomou a sua decisão e chamou para si a criança. A humilhação de David teve a sua razão enquanto a vida da criança, seu sopro, se fazia presente em seu barro. A partir do momento que Deus ceifou-lhe a vida, não havia mais como reverter e, portanto, não cabia mais a humilhação.

Mas David, na sabedoria de sua majestade, compreendeu a profundidade da lição.  Havia pecado enviando Urias para o front para unir-se a sua esposa e esse assassinato custou a vida de seu filho. Deus apresentou-lhe tudo o que espera de nós.  Primeiro mostrou que nada há de oculto no mundo e que mesmo os sentimentos mais profundos, mais arraigados e calados se apresentam a Deus,  mesmo que o protejamos em nosso âmago.  Deus está em tudo pois tudo é contido nele e isso é irrefutável.

Por outro lado, Deus expressa que tem uma lei e por ela norteia seus julgamentos,  mesmo que nos humilhemos, prostremos ou jejuemos. Ele usa uma lei para julgar e seu julgamento é tal que somente a mudança da lei suportaria a mudança da penalidade.  Deus, ao contrário do que parece, não é um ser sem sentimentos que não aceita argumentos, mas é um ser que sustenta sua decisão. Sua lei é fundamental e variações dela requerem variações de fundamento.

Finalmente, a terrível experiência lhe ensinou que é preciso digerir tudo e depreender as lições que nos fazem sermos melhores. David percebeu, pela morte, que havia cometido o maior de todos os erros e que fora penalizado.  Não houve injustiça mas de fato a justiça daquele que define em si o certo e o errado. A lição não é a culpa mas a responsabilidade de perceber que naquele momento de decisão pelo pecado, David deixou-se levar pelos demônios permitidos e não pela inspiração.

Neste momento de farta distribuição de mensagems pela democratização das mídias,  muitos tentam compreender os desígnios de Deus criando teorias nas quais Deus pesa prós e contras e por tal decide. Na verdade o processo de justiça é baseado na lei que é anterior aos pecados. A lei é,  como dissemos, fundamental e, portanto,  ocorre anteriormente e a presença dEle em sua cadeira de balanço é o convite para que permitamos a sua inspiração para a correta medida.

A lei primordial de Deus,  aquela vastamente discutida e compreendida desde Moisés, é um termo de compromisso de relacionamento.  Deus espera de nós uma convivência pura e um contengenciamento de nossas naturezas promíscuas para que voltemos à nossa origem. As raízes do ser humano, o perfume do qual somos feitos, é o prêmio que Deus intenta nos doar em troca de nosso caminhar em sua seara. Por isso, a lei é antes de mais nada, instintiva e David não permitiu-se olhar para ela, inspirando-se em Deus, para agir com Urias e isso teve as consequências terríveis que se abateram sobre seu filho. Deus, assim como qualquer juiz, não condena mas do pecado extrai a culpa que aplica e define a paga pelo desvio.

Quantas e quantas vezes nos desviamos de nossos caminhos, permitindo sermos inundados pelas dúvidas e principalmente pela tentação do pecado. Ele é saboroso e colorido, assim como as formas do corpo e o perfume enebriante da mulher de Urias o foram para David. Mas, é importante lembrar, o pecado não está na existência da tentação mas no ceder ouvidos a elas subvertendo o princípio da inspiração de Deus.

Davi, como todo ser humano imperfeito pelo barro, pecou. Foi julgado e sentenciado. Se humilhou e prostrou-se pedindo clemência e, por justiça divina, não foi atendido. Recebida a sentença e a condenação,  aprendeu deste pecado e consolidou a sua existência na sabedoria que soube extrair daquilo e seguiu sua vida.

Por fim, o texto traz uma revelação importante que surge pela primeira vez: existe um depois e nada nos tira isso. A vida é um contínuo e existem cenários irreversíveis.  A morte é um fato irreversível mas não é o fim e ele saber disso, estar consciente de que encontrará novamente a criança quando também se for exprime a sua sabedoria de compreender não só a sua sentença, mas também a descrição do seu pecado e da possibilidade de a experiência lhe tornar melhor a vida.

O pecado não é punido. Punido é aquele que peca pois o pecado é imóvel,  não age. Os gritos da tentação sobrepõe-se à doce voz da inspiração. Ser feliz é buscar ser santo, respeitador da lei fundamental e, pecando, redimir-se e aprender da penalização.  Apesar de todos os problemas e sofrimentos,  depois do muro há um mundo todo, um grande lago onde nossos sopros retornarão à sua essência e todos, sabedoria consolidada, seremos um só.

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