Dia 93 – A Justiça de David

justiça david
 
2 Samuel, 8:15 – Reinou, pois, Davi sobre todo o Israel, e administrava a justiça e a eqüidade a todo o seu povo.

 
Somos convidados ao mundo para nele habitarmos. Aqui cruzamos nossos caminhos expandindo-os gradualmente desde o momento da consciência do nascimento, quando partimos do leito de nossas mães para o mundo exterior.  Nesta primeira ruptura defrontamo-nos mais do que com nossos medos mas antes com tudo o que não era. Nascer é tornar o não em sim,  a proteção em fugaz.
 

Interagindo e criando laços vamos nos tornando conscientes de nossa importância e da representação de estarmos conectados ao mundo todo. Essa experiência,  aos poucos, vai consolidando a nossa sabedoria para que compreendamos a verdadeira razão.

 

Quando Deus criou o mundo e nos colocou,  pela inteligência,  numa parcela do controle (sim, não é integral), passou às nossas mãos o reinado dessas terras. Assim como David compreendeu,  o reinado não é a possessão no sentido de que tudo nos pertence, mas cabe a nós o exercício da administração para que a justiça esteja presente e que, pela equidade,  sejam os convives iguais perante a lei que deriva de Deus.

 

Deixamo-nos levar pelos demônios permitidos e suas tentações que convencem-nos que somos donos do mundo e que nossa vontade é suprema. Por essa visão deturpada, convencemo-nos de que as terras nos pertencem e que lhes somos soberanos. E, na possessão e soberania, não há espaço para a justiça e eqüidade pois a nossa majestade, por si, nos diferencia e o julgamento torna-se desigual.

 

O ser humano e sua inteligência realmente criam um mundo interessante. Apesar de todas as provas, lições e experiências mostrarem que não,  acreditamo-nos superiores e vemo-nos no direito de subjugar, dominar,  exterminar. Apesar de sermos iguais, barro carreando o sopro, criamos guerras e confrontos para que conquistemos não só territórios mas principalmente subjuguemos outros para que nos sirvam. A história da humanidade é recheada de escravização de melhores sobre piores baseados num princípio de superioridade inexistente. 

 

A escravização é um desvio da natureza divina humana. Como homens somos mais fortes ou mais fracos, mais inteligentes ou menos, mas em essência somos o mesmo. E a escravização se dá não só pela força,  mas também pelo exercício do poder financeiro, subvertendo a ideia fundamental pois trata-se de um poder efêmero não criado por Deus mas pelo homem.

 

Até que ponto podemos tentar subverter as essências da existência sem nenhuma consequência?  Como expressamos diversas vezes, somos livres para criar e destruir, e a paga, positiva ou negativa,  recai sobre nossos ombros. Deus não é um ser mágico que interfere diuturnamente para proteger-nos, mas um ser que nos inspira a agirmos de tal forma que a paga por nossas decisões nos torne melhores para que atinjamos o nível de sabedoria que nos leve de volta à origem.  Bestialidades humanas são resultado do exercício unicamente humano e por ele se desnatura, e por ele paga a conta. Deus nos inspira, enquanto os demônios que permitimos nos tentam, e o poder é tentador.

 

Precisamos aprender, no sentido de se permitir inspirar pelo bem, que há no exercício do poder uma solidão imensa. O cajado do pastor não lhe dá o direito de andar por onde queira, mas lhe dá a obrigação de ir pelo melhor caminho para suas ovelhas. Ao poder não é dada a possessão mas o exercício da justiça e equidade para que os outros sigam seus caminhos e, inspirados, sigam a lei fundamental do amor sobre todas as coisas. Apesar de isso ser elementar,  no mais das vezes,  como reis de nossas próprias vidas, não nos damos conta das obrigações de seguirmos o caminho que nos guie pela leveza da compreensão da doce voz da inspiração. 

 

No mais das vezes não nos permitimos dançar nus quando da chegada da arca às nossas cidades, nem muito menos que devemos,  sendo ungidos em nossos reinados, exercer o poder com amor que se lastreia pela justiça e equidade.

 

Nossos barcos estão no mar. Podemos seguir pelos ventos onde quer que ele nos leve. A brisa nos levará aqui e, mudando,  lá.  Mas a razão de tudo é que descubramos as forças de nossos braços para, herculeamente, levarmos nossas naus à fortaleza da praia.

 

É para lá que vamos e, para isso, devemos ser como David, inspirado,  justo e santo.

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