Dia 91 – Saul e David

saul e david
 
2 Samuel, 3:1 – Ora, houve uma longa guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi; porém Davi se fortalecia cada vez mais, enquanto a casa de Saul cada vez mais se enfraquecia.

 

Como Deus joga seus dados? Ele realmente interfere para os caminhos terrenos ou será que sua inspiração nos leva a sermos mais que os limites que nos colocamos?

 

Saul havia sido ungido num momento especial. O povo pediu um rei e Deus atendeu-lhes ungindo-o. Ele porém desviou seus caminhos e Deus escolheu a Davi como seu sucessor. Saul, tomado por ciúmes, dedicou boa parte de sua vida a perseguir Davi, imaginando que, também como ungido, queria tirar-lhe a vida para sentar-se no trono. Em nenhum momento acreditou em Davi que,  puro, lhe era fiel.

 

Davi, sabendo-se ungido, como dito, manteve-se fiel por toda a vida, zelando tanto por Saul como por Jônatas.  Ao contrário de Saul que dedicou sua vida a destilar o ódio,  o desamor e os rituais além dos definidos por Deus e por isso teve uma vida descendente. David cultivou em si os amores além da vida por todos que o cercaram.  Sua devoção,  mesmo na miséria da perseguição e do exílio fê-lo crescer em sabedoria, como quis e quer Deus.

 

O embate se deu entre ambos até que guerrearam abertamente após a caça incessante. E, batalha após batalha, a força de David crescia, atingindo seus objetivos e consolidando a sabedoria que derivava de sua experiência. Ao mesmo tempo, Saul definhava no seu pote de fel.

 
Não há como negar que Deus nos dá o cenário para que, segundo nossas opções e decisões, tornemo-nos melhores ou piores. Nós decidimos os caminhos, e o que nos acontece é resultado do que fazemos com o presente que Ele nos dá. A Sua interferência se dá na misericórdia, mas principalmente na compaixão, sua habilidade de compreender os nossos sentimentos e nos perdoar, abraçando-nos em qualquer momento. Como dito anteriormente, destino não é o que vai nos acontecer, mas o que decidimos, solitariamente, que nos aconteça. 
 
Durante um longo tempo nas batalhas de Saul e David, Saul buscou a Deus para saber o caminho a tomar, e Deus calara-se. A inspiração é eterna, e sempre estará lá, mas se mostra somente quando permitimos a sua entrada, e não quando pedimos que venha salvar. Deus não quer que nos guiemos por Ele, mas que sejamos Ele o tempo todo. Ele quer que sua lei seja o princípio imutável de nossas vidas que coadunem para que tudo passe e consolide a experiência. Praticar o mal e o ódio esperando a inspiração de Deus é uma atitude egoísta e imatura. 
 
O que Saul não compreendeu e, infelizmente, que fê-lo desperdiçar a maior parte de sua vida nisso, é que Deus ungiu-o e não traiu-o quando ungiu David. Deus havia se comprometido com o seu reino, e dava-lhe tudo para que conseguisse seguir em frente até que passasse o bastão para David. A escolha sempre se dá, e precisamos disso aprender as lições que nos vêm. Saul deveria, inclusive pela proximidade com David, prepará-lo para assumir o reinado e conviver com ele para também consolidar a sua própria experiência para o momento em que retornasse à origem.
 
Saul deixou-se levar pelas vozes tentadoras dos demônios que havia criado. Eles gritavam tão alto que não conseguia libertar os ouvidos para ouvir Deus, em sua cadeira de balanços. David, guerreiro incansável, deixava se  levar pela inspiração e, mergulhado na lei que guiava a sua vida, cresceu nas batalhas, consolidando-se como o ungido pronto a assumir depois da morte de Saul. 
 
Deus não espera que peçamos a Ele para, magicamente, interferir nos caminhos de nossas vidas. Nossas sortes advêm das nossas opções, de nossas decisões. Ele espera que tenhamos no coração a solidez de sua lei de amar e compreender que somos todos um só. Com essa solidez, que abramos nossos ouvidos para sua inspiração e nos tornemos, finalmente, os reis de nossos mundos. Somos todos ungidos, ninguém melhor que ninguém, ninguém pior que ninguém. Sucedemo-nos e o mundo continua. Deus, entretanto, é a infinidade de vidas e mundos, ungindo a todos com sua centelha. Precisamos compreender a responsabilidade de nosso arbítrio, e não deixarmos nossa vida ser guiada pela inveja e solidão do ódio. 
 
Saul odiou. David amou. Ambos guerrearam. Davi tornou-se sábio pela inspiração de Deus, e Saul tornou-se amargo pela inaptidão de reconhecer a voz de Deus entre os gritos de seus próprios demônios. 
 
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