Dia 83 – Pontos que se Tornam Círculos

círculo

1 Samuel, 12:14-15 – (14) Se temerdes ao Senhor, e o servirdes, e derdes ouvidos à sua voz, e não fordes rebeldes às suas ordens, e se tanto vós como o rei que reina sobre vós seguirdes o Senhor vosso Deus, bem está; (15) mas se não derdes ouvidos à voz do Senhor, e fordes rebeldes às suas ordens, a mão do Senhor será contra vós, como foi contra vossos pais

 

A complexidade da existência é infinita. Nossos pensamentos, lógicas interpolações entre fatos, são míseros quando comparados a ela,  e as palavras são poucas para abarcar sua profundidade.  Muitas vezes nos escondemos de compreendermos para nos pouparmos da análise,  mas a verdade é que somos capazes.

 

Os dias se seguem indefinidamente,  quer estejamos vivos ou mortos,  próximos ou distantes. O mundo e as relações se desenrolam por nós mas são de fato, independentes de nossa presença,  compreensão,  atenção.  Nascemos e morremos trazendo ou deixando rastros,  mas o todo se perpetua como se sua complexidade se desse alheio a nossa passagem.

 

Enxergar as coisas dessa forma,  e o digo pela minha experiência de ter me dado conta, gera uma angústia interior. Percebemos que somos descartáveis,  apesar do apelo constante sobre nossa importância.  Desdobramo-nos e, ao partir, seremos pouco mais que um sorriso amarelo em uma foto que se extingue com o tempo. Chegamos, flertamos, nos instalamos e, ao final, partimos sem nos despedirmos. E a nossa memória,  dia após dia, vira uma nuvem que se esvai pois o mundo,  os amores,  substituem e se completam ciclicamente.

 

Conscientizar-se é mais fácil que compreender.  O primeiro é aceitar essa verdade e conviver com ela como o resultado irrefutável da própria vida. Já compreender é não só aceitar, mas disso extrair a lógica que torna palatável a sina, não como tal, mas como desdobramento necessário para que se cumpra. Eu, de minha parte, sempre preferi compreender pois dessa forma me sinto barco,  não água. E a profunda complexidade dessa realidade, como a expressão do amor de uma divindade, denota que ele nos quer compreensores e, principalmente,  que percebamos que tudo não se limita a apenas isso.

 

Essa é uma percepção compreensiva que me emociona, confesso.  Para mim, nesses mergulhos profundos, onde muitas vezes me pego afogado por não poder respirar, percebi que o etéreo o é por ser apenas parte. Aprendi que o ponto pode ser apenas um ponto, mas que se não se explica por si, ele é parte do traço,  do arco, do círculo todo e, como tal, círculo, é novamente um pequeno ponto no círculo que descreve o universo todo.

 

Deus nos dá,  na vida transitória que se desenrola em cada um mas que se consolida por si e não pelo individual, um pequeno traço de quem Ele é,  de fato. Ele somos nós, animados e inanimados que mutuamente nos completamos no círculo maior que se consolida pela coesão de pontos,  que são os círculos de cada um.  Ele integra e, por Ele, somos a complexidade do universo. Sua história é nossa história consolidada,  pontualmente. Somos também aquele rosto que se foi, pois não pertencemos a este lugar, à foto, mas ao círculo que congrega o mundo todo.

 

Israel, naqueles tempos, não tinha um rei, mas juízes,  como Samuel. Os reis definem direções,  e os juízes decidem disputas. As histórias,  azulejos do tempo, se constroem pelo exercício da vida das centelhas sopradas em cada um. Pediram a Samuel um rei, para guiá-los e ele lhes deu, pela inspiração de Deus,  Saul,  e alertou sobre a necessidade de seguir a Deus, inspirando-se por ele.

 

Assim como Israel,  defrontamo-nos com desafios que nos exigem muito. Mais simples é entregar a um, e dele cobrar.  Mas a história em si encerra as historias de cada um, e guiados ou não,  somos intimamente inspirados e por isso devemos seguir. É extremamente complexa a inspiração,  e podemos aceitar ou compreender.  Deus, o círculo maior de nossos próprios,  é criador e para isso possui a compreensão elementar. Somos ele pontual,  microscópicos e, sendo contidos, elementos que o compõe,  somos impelidos a compreendermos assim como nos compreende.

 

Deus é o juiz que dirime disputadas e, justo, premia o correto e dirige o errado para que se torne certo. Deus não penaliza, mas ensina. O guia, aquele que decide passos, somos nós, reis de nossos arbítrios. Passageiros, somos etéreos pois a vida por essas bandas é assim. Transitórios pois a história é a compilação de nossas próprias em um plano maior.

 

Ao final de tudo somos a essência da complexidade pois somos e vivemos o próprio Deus, criador, de cujas mãos e mente se fez essa nossa complexidade.

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