Dia 82 – As Guerras, O Escudo e a Espada

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1 Samuel, 7:3 – Samuel, pois, falou a toda a casa de Israel, dizendo: Se de todo o vosso coração voltais para o Senhor, lançai do meio de vós os deuses estranhos e as astarotes, preparai o vosso coração para com o Senhor, e servi a ele só; e ele vos livrará da mão dos filisteus.
 
Travamos cotidianamente batalhas hercúleas. Deitamos e levantamos sob o jugo de uma espada no pescoço que demole toda a construção mental que fazemos. Os desafios são enormes. Muitas das vezes sentimo-nos pequenos grãos de mostarda frente à avalanche de desejos e sentimentos, sangues extraídos à força de nossas peles. 
 
O mundo é isso mesmo, uma janela pequena de onde vislumbramos os teatros de nossas e de outras vidas. Percebemos os desafios e as íngremes ladeiras a percorrer para que sobrevivamos. Não são guerras que, ao final, nos restarão prêmios, mas caça em que somos o lado fraco. Vencer as guerras cotidianas é vencer o jogo da caça onde nós somos apenas os seres débeis sujeitos à força de que nos quer presas. Desafios mais que humanos, elas consomem as nossas energias e, ao cabo de cada uma das pequenas batalhas, acreditamos não restar mais nada. Apesar de tudo, jamais serão tamanhas que nos tome a centelha que Deus nos deu. 
 
Conscientes dessas batalhas e das guerras a que nos expomos, resta afinal duas perguntas que afligem: se somos todos filhos de Deus, amados por Ele, de onde vêm essas guerras? Como podemos vencê-las?
 
O ser humano é um limite entre a divindade do sopro e da bestialidade do barro. Assim, Deus dotou-nos do espírito consolidador da sabedoria através de sua presença inconteste em nossas almas, e também do livre arbítrio de gerir a nossa carne. A sacralidade decorre da harmonização das porções carne e divina que se dá pela experiência da vida. Entre os mágicos momentos da concepção e do retorno, aprendemos a duras penas as lições de sabedoria que o exercício da convivência nos proporciona. E, nesse exercício, somos guiados pela generosidade da porção divina e pela ganância e egoísmo da porção carne. Por esse equilíbrio expomos e somos expostos à tortura da busca ingênua da sabedoria anterior ao seu momento. Essas exposições são as guerras e batalhas que vivemos. A fome, a perversa forma de agir, o assassinato, a inveja, o egoísmo, a traição, tudo isso é decorrência do desequilíbrio entre a porção divina e a porção carne. A bondade e a maldade são os lados opostos e contínuos do mesmo ser humano. Ambos, são bons e maus dependendo da ótica de quem o olha. 
 
As guerras e batalhas são decorrências de nossa experiência da vida e jamais nos livraremos delas como sociedade, apenas pessoalmente. Por elas nos tornamos mais compreensivos, experientes, e aprendemos a olhar com o olhar do outro, sentir o seu sentimento e compadecer-nos deles e de nós mesmos, ativos e passivos das guerras, assim como Deus faz conosco. São dores extremas, mas naturais da existência humana e fundamentais para que percebamos a necessidade do equilíbrio das porções divinas e carnais. Isso só se torna misterioso para a descrição lógica de sua presença, mas o sentimento no coração dele é factual e, guiado por ele, tornamo-nos salvos no campo de batalha. O coração guia, pela inspiração da voz doce. 
 
A vitória sobre tais guerras, a nossa segunda pergunta, se dá logicamente pela compreensão da primeira, ou seja, da origem de tais males. A vitória se dá pelo equilíbrio que decorre da consolidação da sabedoria decorrente da permissão da inspiração da voz de Deus em nosso íntimo. Por ela, aprendemos os verdadeiros valores das coisas, das pessoas, suas almas. Com o tempo, os valores extremos das guerras vão se esvaindo como o são verdadeiramente, poeira ao vento sem sentido, e vamos descobrindo novas verdades que nos trazem de volta à origem. Pela inspiração de Deus, aproximamos os nossos dois momentos mágicos e tornamos a reter nos olhos a beleza indizível da vida, a emoção plena do cruzar de olhos. Pela inspiração, permitimo-nos completar pela experiência tornada sabedoria e, por isso, as guerras e batalhas de dolorosas tornam-se perceptíveis lições de onde é possível depreender a melhor forma de viver. 
 
Sempre haverão guerras e batalhas. Essa é a sina de nossa existência pois somos fraternos seres misturados num mundo de eus. Com o tempo, deixando-se inspirar por Ele em nosso quarto escuro, vamos percebendo que a vida é muito mais que aquelas batalhas, que o gélido fio da faca em nossos ombros. Anterior a quaisquer batalhas, a mágica da vida as proporciona e deve ser compreendida como a condição anterior que nos torna guerreiros. Ninguém no mundo todo é melhor nem pior que ninguém, mas compreende a sua realidade a partir de sua ótica. Quando percebemos a presença de Deus em nossos quartos escuros conseguimos enxergar muito além de nossos olhos. Adentramos nos corações de quem nos fere e, dele, extraímos a essência que nos torna irmãos. Ser inspirado é a chave que abre a porta de cela em que nos encarceramos pela debilidade de nossa sabedoria. 
 
Sim, sim, sempre haverão guerras. Mas não guerras letais, mas que nos afetam moralmente ou na carne. A vida verdadeira não cessa em nenhuma hipótese. Devemos nos preparar para delas apreendermos as lições que nos tornem sábios, e como escudo e espada devemos eleger a compaixão e a inspiração. Compadecendo-nos dos oponentes, adentramos em seus corações e, inspirando-os, tornamo-os nós mesmos. 
 
Para isso, precisamos ser sábios e, sábios, santos, como Deus nos quer. 
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