Dia 78 – Não Fomos Feitos para a Fome

pão

 

Juízes, 19:20 – Disse-lhe o ancião: Paz seja contigo; tudo quanto te faltar fique ao meu cargo; tão-somente não passes a noite na praça.

 

Deus deu-nos o mundo.  E sobre ele colocou seus filhos e tudo quanto necessário para que suas vidas se desenvolvessem e que o princípio fundamental da existência, como cenário da consolidação da sabedoria, se desse e, com isso, fôssemos livres rebentos fadados a conhecer a vida muito além daquilo que superficialmente se aparentava.

 

Este mundo, celeiro de vidas, é de todo ser vivente. À Deus rendemos as nossas vidas e, sujeitos às leis que nos sopra aos ouvidos, matamos a fome que nos humilha fazendo da existência uma seara de onde colhemos os alimentos.

 

Mas, eternos viajantes, acabamos tornando-nos estrangeiros em nossas próprias terras. Criamos um sistema segundo o qual desenrolamos a nossa vida toda na busca daquilo que não nos pertence para, pagos pelo esforço, tornarmo-nos donos e em seguida entregarmos a quem nos igualmente serve. Criamos o dinheiro como ferramenta de expressão do efêmero poder e por ele nos sacrificamos dia a dia, buscando consolidar um poder que dele advém.  De posse do poder, nos livramos provendo poder a outro, e assim indefinidamente.

 

A natureza do homem é habitar um mundo preparado para servir-lhe e suprir-lhe todas as necessidades. Este mundo pertence a todo ser vivente que, consciente ou não,  afilha-se a Deus e dele recebe o legado de matar sua fome com o alimento que jorra das fontes vivas do mundo.  Por estes cenários navega liberto elivra-se das algemas para compreender a voz profunda da inspiração.

 

Mas Deus, na infinitude de sua universalidade,  nos dotou de forças poderosas para a criação de algemas aos outros. Pelo poder do alimento e das terras que os vertem, o homem sangra a própria espécie,  extorquindo os irmãos e inocentando-se pela fome que causa.

 

O mundo tem muitos males. Males que refletem os demônios que permitimos existir por deixar-nos inspirar e agirmos segundo suas débeis vontades.  Choros inexplicáveis proliferam pela maldade inerente da raça e isso desvirtua a criação para algo distante de sua própria essência.  De todos os males, a permissão da fome é o que mais envergonha. E isso deve parar.

 

Criamos uma ferramenta de poder sem sentido, mas que nos apegamos e fazemos dela a nossa vida. Precisamos lembrar que somos, afinal,  uma irmandade e, como família, a dor de um é a dor de todos.  O capitalismo,  e todas os estúpidos “ismos” que fomos e seremos capazes de criar não podem permitir que qualquer ser, humano ou não,  não tenha acesso àquilo que Deus primordialmente criou no Gênesis,  um mundo farto de alimento e habitado conforme seu preceito,  para que nele suas criaturas cresçam,  procriem e consolidem a sabedoria que os trouxe,  com seus sopros,  aqui.

 

A fome é a vergonha de não ser humano. Ela mostra que falhamos em sermos irmãos.  Falhamos em não sermos o amor que nos une. Acabar com ela é subverter o poder que dela advém,  e a vitória só virá quando unirmo-nos em volta desse grande desafio.

 

Sejamos humanos e partilhemos com os viajantes nossos pães para que não durmam nas praças.  Isso é o que Deus espera de nós.

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