Dia 74 – Um Pouco Pintor, Um Pouco Tela

pintor e tela
 
Juízes, 6:17 – Prosseguiu Gideão: Se agora tenho achado graça aos teus olhos, dá-me um sinal de que és tu que falas comigo.

Juízes, 6:21 – E o anjo do Senhor estendeu a ponta do cajado que tinha na mão, e tocou a carne e os bolos ázimos; então subiu fogo da rocha, e consumiu a carne e os bolos ázimos; e o anjo do Senhor desapareceu-lhe da vista.
 
Qual a prova cabal da existência de Deus? Até que ponto somos suficientemente lúcidos para afirmarmos, tacitamente, que Deus existe conforme apregoamos? Essa é uma questão que atravessa toda a história da humanidade, e não é de fácil explanação.
 
De fato, existem duas linhas básicas do entendimento de Deus: a dos ateus, até mesmo dos agnósticos, segundo o qual Deus é um conceito inconsistente e que deriva da necessidade sobrenatural do homem, e a dos crentes, segundo a qual uma entidade superior existe e é percebida. 
 
Quando falamos de prova cabal, estamos indicando uma resposta somente ao primeiro grupo, pois suas lógicas não permitem conceber ou conceituar algo além da matéria. Já para nós, crentes, Deus é uma percepção muito além dessa mesma matéria, e temos uma fé que nos arrebanha e torna-nos membros ativos de uma mesma célula que governa o mundo todo. 
 
Buscamos sinais, e muitas vezes só damos valor à carne e os pães ázimos em chamas. Mas a percepção de Deus, pressuposto primário da fé de todos nós, é o sinal que buscamos. A vida é um aglomerado de milhares de sentimentos e emoções que são percebidos pois a nós foi doada a centelha do sopro que nos torna partes integrantes tanto da obra como da criação. Somos todos um pouco tela e um pouco pintor, rompendo e fundindo as percepções da natureza que nos cerca. Os sinais de Deus estão em todos os lugares, quer na emoção do pôr do sol, quer no abraço quente daqueles que amamos. A emoção, longe, muito longe de ser apenas uma reação, é um cantar da alma pela cena, pelo amor, pelo desapego ao eu. 
 
Gideão, assim como o tinha feito Jacó, Moisés e tantos outros, estressou Deus pedindo-lhe sinais. Pediu-lhe pela voz que o levou à guerrear com Midiã, para a decisão de quando atacar, para a decisão de com quantos atacar. Em todos os momentos Deus se preocupou em apresentar-lhe seus sinais para que soubesse da veracidade de sua ação. Em relação a Deus, somos inspirados por sua voz, e muitos de nossos medos e ignorâncias se travestem de vozes para inspirar também, ludibriando-nos, mas somente a de Deus é sábia para ajudar-nos a interpolarmos nossos pontos e alcançarmos a missão de nossas vidas. Por isso, precisamos ser humildes para percebermos os sinais dEle em tudo o que nos acontece. Quando a voz de Deus é mais alta e compreensível que a de nossos demônios, tornamo-nos Ele e sua voz se torna a nossa própria. 
 
Deus não é bonança, Deus não são os maus tempos. Deus é o todo que interage em qualquer situação, e pela sabedoria dEle construímos a nossa própria para assim chegarmos ao final. Percebê-lo é, sim, o mistério da fé. Por ela, a crença em Deus transforma-se em realidade inspirando no âmago de nossos seres, de forma a tornar-nos aquilo que sempre fomos, tela e pintor. 
 
Na maior parte do tempo estamos entregues à um cotidiano que nos rouba a consciência plena, isso é fato. E não há do que se envergonhar nisso, pois o que nos resta é o que Deus nos planeja, respeitando nossos arbítrios. Mas é preciso que tenhamos um momento para refletirmos e compreendermos a grandeza do mundo em que vivemos e como dele fazemos parte, como sementes de Deus fecundando o mundo. Não precisamos ser perfeitos, nem precisamos dedicar a nossa vida à compreensão da voz de Deus, mas precisamos ser santos e, interpolando o princípio, o meio e o fim, consolidarmos nossa sabedoria como a vida que nos é presenteada. 
 
Deus se mostra em sinais mais claros que a límpida água do rio. O que nos impede a enxergá-lo não é por ser oculto, mas por nossa ignorância cegar os olhos. Abri-los é abrir o coração para a voz verdadeira, para a inspiração positiva que ele propõe. Como a Gideão, ele não se poupará a dar-nos sinais mas, tal como ele, precisamos ser humildes para reconhecermos nossa incapacidade de crença incondicional para tornarmo-nos conscientes plenos da sua existência e operação. 
 
A nós não é necessário o conceito, mas a percepção. Alguns enxergam o azul, outros sentem o azul. Alguns vêm uma flor, outros vêm a poesia materializada nos braços enebriantes de seus perfumes. Não há certo ou errado, mas humanos. 
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