Dia 69 – Somos Doze

levitico

Josué, 18:7 – Porquanto os levitas não têm parte no meio de vós, porque o sacerdócio do Senhor é a sua herança.
 
A divisão da Terra Prometida foi dada a todas as famílias dos filhos de Israel e sua descendência. A cada um coube um quinhão das terras, menos aos descendentes de Levi, pois a eles foi reservado o sacerdócio. 
 
Desde os primórdios do Êxodo, na definição das Leis de Deus que os homens naquela travessia deveriam seguir, ficou estabelecido que os Levitas exerceriam o sacerdócio, e a eles não caberia a herança de Isaque pois a eles caberia o sacerdócio. 
 
Mais uma vez o simbolismo nos varre numa energia que supera a própria capacidade do entendimento. A vida, e tudo que nela obtemos, é um rito de passagem pois fomos criados do barro e, soprados nas narinas, atingimos a essência da vida na qual perseveramos até o último dia. Conquistamos terras, vencemos batalhas, cruzamos desertos mas, ao final, resta-nos simplesmente permitirmos que o Deus imerso em nossa consciência nos  inspire a seguirmos pelos caminhos menos dolorosos. Nossa alma é multiforme pois multiforme é sua essência. 
 
Quando Deus nos criou, criou-nos como mosaico multicor, indo do indigno ao digno pela interpolação dos personagens que nos compõem. Somos uma mescla de toda as tribos de Israel. Somos o sábio José e o consolável Judá, o intempestivo Rúben e o inocente e jovem Benjamin. Todos eles, cada qual com sua sina de herdeiro de Isaque e de Abraão, são a constelação maior que nos fazem únicos.
 
O simbolismo disso nos leva a conhecermos os nossos dons, nossas limitações e poções e, a cada qual, em nossa consciência, é reservada um espaço. Mas a nossa parte levita, a que carrega a tocha da sabedoria de Deus, a essa não é reservada nenhuma terra ou herança em nossa Terra Prometida. A ela é resguardada somente a missão de compreender a lógica daquele que cria, mesmo antes da própria criatura, e manter ligados pelo amor supremo os irmãos que, vez ou outra, se separam, lutam, litigam, empobrecem ou enobrecem a existência do ser. 
 
A história é complexa, assim como é complexo o ato de viver. Iluminar o viver, compreendendo as razões e não escapando dos perigos, essa é a missão de nossa porção levita. Ela nos faz compreender que é preciso dar um sentido além dos dias que se seguem, um sentido para compreender quem de fato somos, qual porção nos faz feliz, qual porção nos afasta de nossos propósitos. Os filhos de Israel, cravados firmes em nossos corações, demonstram aquilo que lhes sucede, mas somente Levi nos mostra qual a porção mágica de Deus há em cada ato e como tais se integram na grandiosidade de nossa unidade espiritual. 
 
Deus criou um mundo que mimetiza cada um de seus componentes. O mundo é um mosaico assim como somos todos nós mergulhados nas águas profundas de nossos conhecimentos. 
 
Não há nas paradas de nossas emoções nenhuma indicação que nos leve a compreender o que somos de fato. As indicações nos mostram o caos das ligações e à porção levita é dada a chave que une-os todos. Ela nos mostra tudo sob uma nova perspectiva, uma ótica que foca no essencial e demonstra a coragem de ser humano. 
 
O levita que habita em nós nos coloca fora do centro das correntes e, ao alto, miramos e compreendemos que o caos de movimentos se resume, quando nos afastamos, a um ponto sólido e consolidado. Esse caos que representa as forças dos filhos de Jacó em nós somente se apresenta quando mergulhamos nele. Quando nos afastamos, olhando de fora seus movimentos, percebemos a dança restrita ao ponto. Levi nos leva ao alto e, de lá, observamos quem de fatos somos. 
 
Não é dada herança de partes de nós a essa tribo levita, pois precisamos dela para tirar-nos de nós mesmos e, com isso, percebermos o mosaico caótico como ponto singular. E essa parte levítica não faz nada além de mover-nos a ouvirmos a voz criadora que nos inspira a seguirmos a luz do candeeiro do pastor. 
 
Sim, sim. Deus brincou com seus dados e nos fez complexos. Nos fez doze, sendo somente um. Fez-nos sábios mas não conscientes e, por Levi, transportamo-nos ao mundo da ligação desses pontos soltos. Esse Levi de dentro nos apresenta o mundo além de nossas fronteiras, repleto do desejos e sentimentos, repleto de ações que coadunam para que o todo se envolva de si mesmo. Esse Levi é o nosso sacerdote, aquele que nos auxilia a compreendermos a profundidade e a necessidade das dores, lamentando, mas estendendo o braço e, mão segura, ajudar-nos a levantar. 
 
Somos todos herdeiros de Jacó, Isaque e Abraão. Dentro de nós possuímos todas as tribos de Israel. Somos a Terra Prometida a nós pelo criador. Do alto to morro, nosso Levi sorri das traquinagens de seus irmãos, puxando cada um a sua corda. Com sua mão direita semeia nos corações deles o amor do outro, criando o elo que os une na unidade daquele que os soprou na narina. 
 
Não há melhores nem piores no teatro. Mas a união que os tornam irmãos. Somente por Levi compreendemos a profundidade da voz que inspira. A ele não é dada terra, pois terra é porção finita. Atentar-se à inspiração da voz é suplantar a existência e, portanto, vai muito além das cercas. A ele é reservado os céus, o elevado, o etéreo que consolida a todo. 
 
Somos doze e, dos doze, somos um ser único no sopro. 
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