Dia 68 – A Promessa do Pastor

montanhas de areia

Josué, 14:5 – Como o Senhor ordenara a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel e repartiram a terra
 
Quando Moisés falou a primeira vez aos hebreus que viviam no Egito, lhe disseram que não iriam segui-lo pois tinha lá tudo o que precisavam: um teto, alimento e um mestre. Àqueles homens simples que forjaram as suas vidas aos desmandos daqueles que os subjugavam, a mudança de sua situação seria um erro incomensurável. Para eles, a felicidade era antes de tudo passar pela vida com o mínimo sofrimento. 
 
Eram todos descendentes de Jacó. Levados pela seca que castigavam o seu território, imigraram para o Egito e lá, com a ajuda de seu filho José, que havia sido vendido como escravo, entraram para a sociedade e se estabeleceram. Após a bonança e com a substituição natural das gerações, foram se apequenando em seu íntimo e se tornaram escravos daquele povo. 
 
Moisés conheceu aquela sociedade até ser banido e, retornando,  apresentou-lhes uma promessa de Deus: que o seguissem pelo deserto que Deus lhes proveria uma Terra Prometida. Mais forte que os feitos das sete pragas, Moisés tinha apenas a sua própria voz para incendiar a centelha que adormecia naqueles homens. 
 
Deus durante quarenta anos teve que se mostrar ao povo, como nuvem, como luz, como alimento vindo do céu, como a própria sacralidade da Tenda das Revelações, como a voz irada. Mesmo diante das mais evidentes comprovações, o povo como elemento único ainda assim nutria dúvidas sobre a veracidade da promessa. A dúvida passava como provação a eles, pela falta de carne, pelo destino incerto, pelos quarenta anos no deserto. 
 
Entretanto Ele, diferentemente de como fizera com o Faraó quando da luta de convencimento de Moisés, ou aos reis das terras prometidas ao povo, não endureceu-lhes o coração. Manteve-o suave como a sua própria voz, pronto para receber aquela iluminação da esperança de concretizar as palavras. O povo perseverou, e seus pastores Moisés e Josué fê-los acreditar que era preciso continuar. Suas crenças, mesmo fundadas na dúvida natural do homem não sábio, os levaram pelos caminhos para ao final, tomar a terra que lhes fora prometida. 
 
Somos seres mutantes. Vivemos mudando nossas formas desde que fomos concebidos. Nossos corpos crescem, têm pelos, sujam-se e lavam-se a cada segundo da existência. Nossa mente, o quarto escuro onde vive nossa voz que, permitindo, inspira-se pela de Deus, jamais se cala. Sua voz evolui como evolui a sabedoria do segundo anterior ao de agora. Nesse crescente evolutivo pairam sobre nossas cabeças dúvidas, incertezas e medos que o pastor não nos deixa ceder. 
 
Em sua sabedoria suprema Ele nos provê o coração suave para suportar os desafios e ceder a Ele, pastor, para levar-nos daqui. Sair do casulo de nossa aceitação como servos escravizados para rompermos e enfrentarmos as dificuldades rumo a Terra Prometida. Não há provas, mas a certeza de que o pastoreio nos arrebanha e carrega pelos desertos. Cumprir a sina é ser o Deus que prometemos a nós mesmos.
 
O reino existe dentro de nós mesmos. Ele é o lugar de felicidade que reservamos a poucos momentos, quando vemos os olhos de nossos filhos abrindo ao acordarem ou quando nos reencontramos com nossos seres internos. Esse lugar, a Terra Prometida, é onde o pastor nos leva. Deus é uma percepção de um mundo de cores, não um conceito além do factível. E assim nos fundimos à sua presença em nossas vidas e tornamo-nos um pouco Moisés, um pouco Josué que não foram perfeitos mas foram obedientes a seu destino de chegar lá. 
 
Moisés não cruzou o Jordão. Josué foi um guerreiro tomando o que Deus lhe prometera. Mas ambos, cada um com sua realidade, chegaram aos seus destinos. Moisés chegando ao Egito com seu cajado e seu irmão Arão, disse o que sucederia e que chegariam a um lugar melhor que a segurança da escravidão. Josué, ao enterrar Moisés antes de atravessar o seco leito do Jordão, prometeu que venceriam. E venceram. 
 
Perseverar é acreditar que há, de fato, algo além da segurança da escravidão. Ouvir Moisés e Josué é poder, de fato, possuir como sua a Terra Prometida, de Jericó a Jerusalém. Para isso, abramos a porta da casa, e deixemos que eles entrem e mostrem-nos a boa nova. Não é sensato seguir pelo deserto, mas além das areias há vida e somos fortes para chegarmos la. 
 
Essa é a promessa do pastor. 
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