Dia 63 – Grãos de Mostarda

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Deuteronômio, 30:1-3 – (1) Quando te sobrevierem todas estas coisas, a bênção ou a maldição, que pus diante de ti, e te recordares delas entre todas as nações para onde o Senhor teu Deus te houver lançado, (2) – e te converteres ao Senhor teu Deus, e obedeceres à sua voz conforme tudo o que eu te ordeno hoje, tu e teus filhos, de todo o teu coração e de toda a tua alma, (3)o Senhor teu Deus te fará voltar do teu cativeiro, e se compadecerá de ti, e tornará a ajuntar-te dentre todos os povos entre os quais te houver espalhado o senhor teu Deus.

A vida é a realização de um eu que aprendemos a conhecer. As angústias do desconhecido amargam a boca, mas ao mesmo tempo criam o mais importante consolo: a esperança.

Sejamos sinceros e admitamos que não procuramos Deus senão para pedirmos aquilo que não nos sentimos capazes. Buscamos proteção,  buscamos graças, buscamos a esperança de que aquilo que desconhecemos seja ainda melhor do que o que já atingimos.  A vida como é não nos basta e precisamos ainda mais.

Desejamos que Deus não seja somente um provedor, mas um protetor.  Apesar da consciência de sua supremacia e da bondade que o guia, resta-nos dúvidas de que seremos apoiados por ele e, por isso, humilhamo-nos para sermos merecedores. A vida se torna uma direção em compasso de espera para que a salvação chegue.

Será que Deus nos criou para essa angústia?  Quantos de nós,  de fato, carregam a vida ao invés de serem carregados por ela?

Deus é de fato o poder supremo.  Ele é uma entidade que supera a própria existência,  confluindo os rios além da experiência.  Ele é um jarro repleto da sabedoria. Ele é a matéria que se volatiliza e cujos vapores nos inspiram a sermos tal qual o jarro e, ao final,  mergulharmos nele e voltarmos a ser sua matéria.

Mas a responsabilidade de guiarmos nossos caminhos por nossas decisões nos cobre da angústia originada na solidão do poder. Nada mais humano que a busca do isolamento para a redução da suscetibilidade às influências na tomada de decisão.  O poder é solitário,  angustiante,  dolorido.

Duvidar de Deus não faz sentido a quem percebeu sua presença.  Sua marca é eterna e sua inspiração é um alento. Por outro lado, duvidar da salvação é natural pois a solidão cria monstros no armário que atormentam a paz alcançada pela inspiração.

Sendo justos,  reconhecemos nossos limites e o quanto isso nos afeta para alcançarmos a sabedoria. Conscientizarmo-nos de nossa pequenez não é se minorar, mas vestir as roupas que nos cabem. Preparar-se para ser parte não é diminuir seu valor, mas adequar-se ao real.

Ele sempre estará lá.  Não nos privará de sermos escravizados,  nem interferirá para que não sejamos humilhados. Sua proteção é o final que nos deita aos pés. Ele, em sua misericórdia e benevolência, nos dá o guia de Moisés,  o deserto escaldante e o Jordão para atravessarmos.

Afinal de contas,  Deus é santo e justo. Ele nos dá a vida e a consciência para julgarmos e conduzirmos nossa vida sempre em frente, coletando os grãos de mostarda da sabedoria de cada instante. Mirando o candeeiro do pastor à frente, nosso Moisés,  antevemos a incontornável dor nos pés feridos pelas pedras.

Mas Deus, ele provê tudo isso para que ao final atravessemos  o  Jordão e finalmente cheguemos à Terra Prometida.  Não é terra, mas o jarro onde mergulhamos.

Ele estará sempre lá,  e estaremos sempre aqui,  com nossas aflições,  nossos temores e horrores. Ao final venceremos usando os grãos de mostarda.  Tudo será para sempre, por toda a nossa existência.  Na eternidade resta o maior de todos os bens: as calmas águas do jarro que mergulhamos e tornamo-nos matéria. 

Viver é dialogar com os monstros do armário.  Deus não os destruirá pois eles nos ensinam o caminho.  Negá-los não os elimina mas somente posterga o enfrentamento. Eles, enfim, precisam ser domesticados para ensinar-nos da vida.

A esperança é a risada natural de nossa relação com estes monstros.  Deus, do alto da montanha vê-nos conversando com eles e, consciente de nossa certeza ao lidar, permite-nos atravessarmos o Jordão. 

Naquele momento estamos prontos e com o alforge cheio de grãos de mostarda. Ali, a providência divina se faz presente e o dom supremo se materializa para, afinal, atravessarmos o rio, mergulharmos no jarro e retornarmos ao sopro.

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