Dia 62 – Um Mosaico de Números e Poesias

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Deuteronômio, 30:12-14 – (12) Não está no céu para dizeres: Quem subirá por nós ao céu, e no-lo trará, e no-lo fará ouvir, para que o cumpramos? (13) Nem está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar, e no-lo trará, e no-lo fará ouvir, para que o cumpramos? (14) Mas a palavra está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires.

Deus é supremo e universal.  Não há limites e isso o torna o todo. Ele não é simplesmente uma entidade externa superior,  mas uma entidade que contém o todo.

Pensar em Deus inverte as operações lógicas.  Somos o eu e, portanto, todo o não eu é externo.  Mas o conceito de Deus é aquele que contém e, portanto,  ele também compõe o eu. Segundo seu preceito fundamental de respeito,  ele não interfere mas, sendo componente,  está à disposição para socorrer na penúria pela inspiração à opção pelo amor.

A inversão lógica de que Deus é parte do eu e, portanto,  divide as rédeas do ego é a base de sustentação do ateísmo. Isso dá suporte para imaginar que a vida é casual e que não há nada além.  Segundo a linha de pensamento secular o eu é indivisível e sua capacidade de ordenar suas ações demonstram que Deus não existe.

Entretanto,  aos crentes, independentemente da incongruência,  Deus existe e é fato. Como é possível?

A resposta,  assim como tudo que cerca a divindade,  é extremamente simples.  Para os descrentes Deus é um conceito que conflita-se com o conceito da existência de nossa raça.  Já para os crentes Deus não é um conceito, mas uma sensação.

A diferença é o número e a poesia. Não podemos ser números,  assim como não podemos ser poesia. O ser humano completo mistura números e poesia e, assim, mimetiza Deus que congrega conceitos e belezas em uma unidade que compõe.  Esse é o Deus.

Ele contempla a vida pela beleza de seus detalhes,  mas também age justamente para com a humanidade e não a individualidade.  Essa percepção do eu como parte indivisível e integrante é o desafio da vida rompendo limites, o sangue correndo livre nas veias pela infinita cadeia cercada pelo corpo em constante transformação.

Deus é este ser que circunda permitindo a livre vagar em seus limites infinitos. Ele é supremo e, portanto,  seus limites são inexplorados e vertiginosamente maiores que a própria existência. Se dedicarmos a vida a atingir a borda, morreremos antes de iniciarmos a jornada.

Deus está dentro,  pois é a voz inspiradora que nos leva a sermos verdadeiramente humanos. Não há pecado em ser, mas o há em optar pelos números,  negando a poesia do pôr do sol. 

A poesia nos toca a qualquer momento. A mente, sã e controladora,  às vezes abre a guarda e a emoção de um pássaro voando desarma os números e inunda de lágrimas os olhos. Ali, naquele momento, o eu composto por Deus ouve a voz quebrando barreiras. Ali o pecado da ignorância do pertencimento se esvai e mergulhamos fundo em Deus.

Louvar a Deus, então,  não será nominá-lo, mas antes sê-lo. Simbiose de números e poesias,  o homem de olhos úmidos é aquele que percebe Deus em si,  além de céus e mares.

É preciso ser humilde para romper com a lógica conceitual da existência.  É arrogância imaginar a solidão de uma vida casual e finita.

O mundo se expressa por números.  Mas a emoção ela sempre virá da inconsequente,  ingênua e terna poesia.

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