Dia 60 – De Conchas e Girassóis

 
 
Deuteronômio, 26:11 – e te alegrarás por todo o bem que o Senhor teu Deus te tem dado a ti e à tua casa, tu e o levita, e o estrangeiro que está no meio de ti.
Somos indivíduos. Dentro do quarto,  nossa voz, a luz da voz inspiradora.

 

Nossas almas, nossas angústias,  percepções pelas lentes dos olhos. Compreensão interior do mundo que cerca. Vivência da voz inspirando a mão que suavemente desliza nos cabelos. O toque suave na pele sedosa e sedutora.

 

As emoções fluem, o som da harpa que derrama lágrimas dos olhos.  A profusão de sensações dando cores e razões a nossas vidas. O olhar longe no horizonte.

 

Saudade daqueles tempos em que ficávamos conversando por horas…

 
Ao final, somos o mundo todo que nos cerca. Centros do mundo. Parcela de Deus.
 

A vida parte de nós e por nós se dá.  Não há pecado em perceber que a nossa individualidade nos coloca no centro do mundo. Da mesma forma que ao mundo somos uma parcela que o compõe fora do centro, o mundo é aquilo que nos cerca, ao centro.

 

Sim, sim. Humildes e egocêntricos,  para ambos o mundo é o que os cercam pois não há como negar o sopro que nos é dado. Ele nos é dado para que a experiência nos faça compreender que pertencemos e, sabedoria consolidada, tornamo-nos conscientes do centrismo a Deus que, afinal,  somos nós.

 

Mas Deus nos deseja perfeitos e, como tais, precisamos entender a visão do outro,  seu centrismo e o que isso representa. Para nós, somos centros do mundo, mas para cada um ele também o é. As forças se contrapõem e se anulam, somando que o mundo cresce em torno de si mesmo, num sincronismo que é o som da natureza. 

 
Para que sejamos santos e perfeitos como o Deus que nos criou, precisamos olhar fora da caixa e percebermos a dádiva partilhada, a vida que reverbera os pensamentos de cada um e, por isso, nos alegrarmos. A alegria não está somente na auto compreensão, auto construção, mas também no outro, no estrangeiro, no Levita. 
 
A felicidade é uma concha do mar, e ela somente se completa quando no mar. Uma concha na estante da sala nos lembra dos tempos no mar, mas não é o mar. Da mesma forma, não é felicidade aquela que se consolida na tristeza dos eus perdidos no mundo. Alegrar-se em Deus não é alegrar-se nas vitórias, mas alegrar-se nas vidas, boas ou ruins. 
 
A vida é o conjunto de almas que cercam. Ser o centro não é ser o principal, mas a referência. O campo de girassol não é belo por cada um, mas pelo moisaico de cores que inundam o mundo todo. 
 
Assim como a concha alegra o mar, o mar alegra a concha e ambos são o mundo inteiro para eles. Ser feliz é mergulhar no mar de regozijo que rompe com a lógica da dor, onde quer que esteja. 
 
Ser humano é ser parte da humanidade. E a felicidade somente nascerá quando cessarem as guerras, as fomes, os abandonos, as dores da alma. Deus não interfere pois este é o nosso legado. Esses são os problemas de fato que precisamos resolver com o amor que ele nos dotou, e que é sua contribuição para que tenhamos uma maior fraternidade. 
 
Deus provê o amor. Ele provê a centelha, o mundo, a vida. Mas provê também o livre arbítrio para que, sob a inspiração de sua voz, cuidemos do campo de girassóis e devolvamos a concha ao seu mar, alma gêmea. 
 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s