Dia 59 – Família

 
 
Deuteronômio, 24:16 – Não se farão morrer os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada qual morrerá pelo seu próprio pecado.

 

A família é um dom divino. Ela é o portal que liga o débil animal de barro em filho de Deus carregador da centelha do sopro. A família é a mão sustentadora nas dores da consolidação da sabedoria que nos leva de volta à fonte.

 

Não é uma experiência simples conviver. Pela convivência temos de saber onde chegará a nau, como é preciso manter as mãos unidas. Não há segredo, não há receita, mas há a experiência.

 

O ser humano é imperfeito por definição.  Foi colocado no mundo inocente e ingênuo, e ao mesmo tempo precisa dar ecos às necessidades dos que o cercam.

 

É muito comum olharmos para trás e percebermos nossos erros. Angustiados pelas culpas,  desabamos de joelhos pedindo perdão.  Mas afinal,  porque tais experiências?  Por que não nos acontecem quando sabemos como agir? Porque essa deflexão temporal entre sabedoria e ações?

 

A vida é um emaranhado de experiências.  Toda a sabedoria está lá,  naquele paredão que subimos. Ela é imutável pois compreende o todo que Deus representa. A deflexão temporal não é da sabedoria, mas do nosso alcance a ela. Nós não a temos.

 

E esta é exatamente a função da vida: consolidar a experiência em sabedoria e, para isso é preciso experimentar.  A família,  em tese a sustentação da angústia dos erros, é aquela pronta para perdoar-nos pela deflexão e mostrar-nos erros e acertos. A família é a célula que partilhamos que olha através de lentes de amor os nossos erros.

 

Não por isso é co-responsável ou co-partícipe deles. Não por isso cega-se e é injusta.  Não por isso paga por eles.

 

Os familiares (mais uma vez, em tese) são aqueles que nos julgam com os olhos que viram nossa vida passar. Não simplesmente tiram de un fato uma conclusão,  mas a tiram de uma vida inteira.  Não ameniza, mas julga amando.

 

Sim, sim. Assim como tudo, a família desvirtuou-se. Não existe mais aquela cumplicidade que só o amor e a construção da sabedoria em conjunto cria. Inimizades, invejas,  disputas, erros de homens do mundo que invadem lares e destroem relações. A família passou de sociedade de partilha de amor em sociedade de partilha de gastos.

 

O retorno ao projeto original de Deus não passa pela negação de avanços.  Não é um pedido de retorno a um momento distante, involuindo a vida e as benesses que nosso desenvolvimento intelectual gerou. Antes, esse retorno deveria ser retomarmos o projeto pelo qual somos colocados no mundo para consolidarmos a sabedoria que nos devolva ao sopro e, para isso, usarmos tudo aquilo que nos sustenta. A família não é uma unidade social onde pecados são perdoados e as culpas compartilhadas mas uma caverna iluminada onde os pecados são julgados e compreendidos iluminados pelo candeeiro do amor.

 

Isso não é fácil. Mães ainda carregam essa dádiva,  a custo, no peito. Mas isso é algo de todos nós.

 

Celebrar a família é celebrar Deus, sua sabedoria, seu sopro, seu próprio julgo sobre nossos pecados.

 

Órfãos são eventualidades e precisam ser adotados para que tenham famílias.  Não são o projeto original de Deus, pois ele é respeitoso e permite-nos abandonarmos quem amamos. O erro, o pecado, não é Dele, mas nosso. Adotar uma criança é prover a ela um julgamento amoroso de seus pecados e só assim ela será capaz de extrair sabedoria de suas experiências.

 

Famílias devem ser laços de amores e não confluência de órfãos. Nelas, a cumplicidade não oculta mas desnuda e é justa.

 

Não podemos optar pela orfandade. O julgamento do mundo é o mesmo do da família, pois é nossa obrigação sermos justos e santos, mas aqui julgamos pelo amor e por ele consolidamos a sabedoria.

 

O amor é o cimento que une famílias e ela não é só a conjunção da carne, mas principalmente o entrelaçamento de almas para expelir a orfandade.  Família é dom eterno de, pelo amor, compreender a subida do paredão.

 

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