Dia 58 – Vencendo a Batalha

 

Deuteronômio, 20:1 – Quando saíres à peleja, contra teus inimigos, e vires cavalos, e carros, e povo mais numeroso do que tu, deles não terás temor, pois contigo está o Senhor teu Deus que te fez subir da terra do Egito.

Não somos capazes de compreender profundamente as batalhas que travamos, pois somos originalmente cegos. A nossa voz interior nos guia pelos caminhos, mas somente a luz do candeeiro nos prepara para as pontas das pedra. A luz não as remove, somente as ilumina.

Se não compreendemos, não nos preparamos suficientemente para evitar a aniquilação. A ignorância aflora a percepção da fragilidade, e o medo e angústia se transformam em pavor.

Acuados, ficamos de cócoras no quarto escuro de nossa alma, esperando que o tempo passe e não nos tornemos escravos de outros exércitos. Tímidos, calados, entregamo-nos à enxurrada de lágrimas da certeza da morte.

Deus é a mão que se apresenta para levantar-nos do canto. O doce entoar de sua voz apazigua a alma e conforta o peso do medo. De pé, ainda com os olhos enuviados pelas lágrimas, buscamos encontrar os olhos Dele para nele ancorarmos a nossa nau, mas seus olhos não estão lá. Buscamos a mão, e ela também não está. Seu corpo majestoso, igualmente não está.

Somente a voz, candura efêmera enchendo tudo e trazendo de volta a energia vital desprendida pelo medo.

Deus é supremo. Para ele nada é barreira ou impeditivo, certeza indubitável. Sua misericórdia não é proteger nos, mas antes deixar-nos mergulhar na experiência para dela extrairmos a sabedoria que nos levará de volta à fonte do sopro. A vida é um caminho não autômato da vontade de Deus mas das nossas decisões.

Sua voz, a única voz audível dentro de nós além da nossa própria, nos inspira a sermos fortes. Por ela somos inspirados a reconhecer-nos como portadores da dádiva de um pouco de Deus em evolução, e daí tiramos a certeza da vitória.

À Deus, assim como à nós, partes ínfimas de Deus, não há exército suficientemente grande, nem enxame de cavalos suficientemente forte para nos trucidar. Seres fadados ao encontro da perfeição pela sabedoria da vida inspirada, somos protegidos pelo escudo do sopro.

Exércitos massacram carne e barro. O sangue e o sopro são dádivas intocáveis.

Ouvir a Deus, permitir-se inspirar por sua docilidade, isso nos torna Ele próprio. E, como tal, somos areia no deserto que se transmuta pela força hercúlea dos ventos, mas que jamais deixa de ser aquela composta pela infinidade dos mesmos grãos.

Homens são areia de grãos. Inúmeras partes de um mesmo pai, vagueando pela força do vento, mas nunca deixando de ser os grãos que a compõe.

 

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