Dia 56 – A Carne, o Sangue e o Labirinto

labirinto

 

Deuteronômio, 12:23-24 – (23) Tão-somente guarda-te de comeres o sangue; pois o sangue é a vida; pelo que não comerás a vida com a carne. (24) – Não o comerás; sobre a terra o derramarás como água.

Qual é,  de fato, a razão da vida? Criados barro, eramos débeis seres brincando nos parques do Senhor. Donos de uma essência desenhada pela inocência da ignorância,  vagávamos sem razão, vazios na orbe do barro. Éramos apenas carne.

Deus brincou. Decidiu em sua infinitude explorar os próprios limites,  levando a sua consciência aos confins da inconsciência decorrente da imperfeição.  Na criação Deus não cresceu. Mas, perfeito,  abrangeu cada canto da própria existência.

Para isso doou uma parte de si a essa imperfeição.  Soprou nas narinas débeis do barro e fê-lo parte de si, carreador da essência criadora. Pelas narinas deixou que se criasse, espontaneamente,  o processo de transição entre a debilidade da ignorância e a plena consciência através da sabedoria adquirida pelos fios brancos da cabeça cansada.

Para Deus, a carne, barro em essência,  é o invólucro que carrega o sopro de um ao outro ponto da transição.  Assim como barro e sopro, temos a carne e o sangue.

Alimentamo-nos da carne, pois dela absorvemos a energia vital que nos permite viver. Prazerosa carne ou saciante maná, ambos levam-nos aos labirintos da sabedoria.  Por ela nascemos,  crescemos, curvamos e morremos. Dela nos fartamos diariamente.  Deus criou um mundo farto onde alimento abunda e a ganância impede o acesso.

Do sangue não nos alimentamos.  Sopro, ele é a própria vida de consciência construída passo-a-passo nas sinuosas compreensões da voz que inspira a ser aquele eu que a Ele pertence e que preenche o todo que o define.

Alimentamos nosso barro da carne que abunda. Cheio de energia, revigorado, ele permite a abundância de cabelos brancos e a sabedoria do pertencimento.

Nossa razão de ser é criar Deus a partir da ignorância e da imperfeição.

Cabelos brancos e dores resultam do labirinto da vida. Pela sabedoria deixamos de ser carne para sermos sangue. Deixamos de ser barro para sermos sopro.

Como dito, Deus brincou e tem um plano. Nossa imperfeição impede-nos a perfeita compreensão,  mas a voz inspiradora nos conta que existe um plano.

Sim, existe e dele fazemos parte. Nascemos carne e morremos carne. Fomos criados no sopro e ao sopro retornaremos.

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