Dia 55 – Vencendo o Eu

 pastoreio
Deuteronômio, 9:4 – Depois que o Senhor teu Deus os tiver lançado fora de diante de ti, não digas no teu coração: por causa da minha justiça é que o Senhor me introduziu nesta terra para a possuir. Porque pela iniqüidade destas nações é que o Senhor as lança fora de diante de ti.
Todos somos portadores da centelha de Deus e também do direito nato de tomarmos nossas decisões e seguirmos conforme nossas consciências. Cada um decide seu rumo, e a soma dessas posturas gera a nossa comunidade.
Deus, respeitoso, permite-nos buscarmos o reconhecimento de nossa parte do mundo. De seu canto, observa nossos serpenteares pelos caminhos da vida, provendo-nos o que nos cabe.
A capacidade particular leva ao indivíduo. Por isso, tendemos a enxergar o mundo sob nossa própria ótica, conceitos morais que nos fazem partícipes e juízes. A nossa individualidade nos permite compreender o mundo como se nos circundando, navegando em torno de nossas opções. Compreendemos, assim, que a providência de Deus se dá ao mundo que nos cerca e, portanto, em função do que somos, fazemos, pensamos e decidimos.
A natureza do homem como portador da centelha é o retorno à fonte. Nossas opções são muitas, milhares, milhões, mas a certeza da correição ocorre somente na opção pelo retorno. A paga é a participação no retorno. Assim, Deus atua não para que na terra tenhamos a terra prometida, pois ela está sempre lá. Ele age quando nos desviamos desse caminho natural, operando em vias que nos tragam de volta.
Como pastor, não cabe a ele premiar os cordeiros que seguem os caminhos corretos, mas buscar aqueles que se desviam. Da mesma forma, Deus não nos dá a terra prometida por não nos desviarmos, mas busca aqueles que se desviam já que a nós é reservado o destino de seguir à fonte do sopro.
Olhar o mundo a partir da visão compartilhada é algo além do humano, mas a própria chegada à fonte, a comunhão com Deus, isso é um destino além do humano. Obter a paz que dele emana e residir em nós mesmos, vencendo a densidade da escuridão antes da voz, esse é o prêmio a quem percebe a perdição da iniquidade dos caminhos além de Deus.
O mundo é um cerco de individualismos e um mar sem fim de egos, buscando a prova de sua superioridade em relação aos reles “outros”. Somos um universo de Eu além de Ti, um universo de egos autosuficientes e conscientes da própria nobreza. Deus, por outro lado, nos fez irmãos e imaginou-nos capazes de comungarmos na mesma mesa, a mesma ceia, o mesmo calor da fogueira. A liberdade do livre arbítrio nos torna indivíduos para, vencendo a barreira do auto conhecimento gerador do isolamento, retornarmos a comunhão social com aqueles que, afinal, são parte do mesmo sopro que somos e, portanto, são nossa parte também.
Deus não nos premia, mas nos permite. A misericórdia dele não está no perdão dos pecados, nem sequer nas benesses aos filhos, mas no fato de permitir-nos sermos parte dEle e do mundo que ele criou para nos mostrar o caminho de volta. Deus sai para buscar as ovelhas desgarradas. Continuamos nosso pastoreio, mesmo vendo-o ao longe.
E é importante lembrar que, se somos rebanho, isso não nos torna seres inconscientes de nossa individualidade. A maravilha da individualidade reside na compreensão do próprio valor e na demonstração de sua integração àqueles que nos cerca. O ego não é um inimigo, mas aquele em quem somos desafiados a domar e convencer sobre sua parcela de pertencimento.
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