Dia 42 – Da Ganância pela Carne e da Saciedade do Maná

Imagem
 
Números, 11:1 – Depois o povo tornou-se queixoso, falando o que era mau aos ouvidos do Senhor; e quando o Senhor o ouviu, acendeu-se a sua ira; o fogo do Senhor irrompeu entre eles, e devorou as extremidades do arraial.
 
Deus chamou o seu povo para se livrar da mão pesada do Faraó nas terras do Egito, e o guiou através de Moisés pelo deserto até a Terra prometida. Naquele período, Deus alimentou-o com o seu maná, um alimento que vinha diariamente dos céus e que sanava toda necessidade daquele povo. 
 
Ele foi misericordioso e deu a seus filhos o que precisavam, e concentrou-se em criar uma religião que os guiasse, incluindo o sacerdócio e a Tenda das Revelações, onde teriam oportunidade de terem seus ouvidos tocados pela boa nova de Deus, que os tornava conscientes da chama do sopro que carregavam em si. 
 
Em um determinado momento, as pessoas começaram a reclamar do maná e se revoltaram contra Deus pela carne, exigindo-a para que se sentissem amados por Ele. Isso acendeu-Lhe a ira e Ele mandou um bando de codornas para saciar a fome de carne. Ela os tornou impuros e sofreram muitas dores por isso. 
 
Na maioria das vezes, Deus nos oferece o Maná sagrado na vida, e achamos que não é o suficiente. Ele, mais do que ninguém, sabe o quanto basta a cada um para que atinja os seus seus cumes, mas a vida que nos é apresentada por aqueles com quem compartilhamos nos diz que é preciso sempre mais e mais. Movidos pela ganância, nos esquecemos da dádiva de ter o que precisamos e nos esvaímos no ódio destilado pelo querer sempre mais. 
 
Deus nos fez à sua imagem e semelhança. Nosso barro, a carne, tem as suas necessidades, e o nosso sopro, a alma, também as tem. A carne precisa do básico para existência, enquanto a alma precisa do oceano inteiro para sentir-se navegada. Entretanto, o exercício da liberdade nos leva a desprezarmos a segunda e cultuarmos a primeira, como se dela realmente dependesse a nossa vida. Deus, que também é verbo, permite o bando de codornas para que nos envenenemos e percebamos a profundidade da opção pela alma. Somente tendo se envenenado com a carne da codorna percebemos o quanto o maná nos faz bem e nos torna divinos. 
 
Esses são sentimentos humanos, e todos estamos sujeitos a eles. Revertê-los é lutar contra a própria natureza e, muitas vezes, dói na carne vencer as tentações do individualismo e da ganância. Mas Deus nos espera santos, espera que o sopro sobreponha-se ao barro e, ouvindo sua voz em nossa consciência, achemos força para seguirmos por esse desígnio. 
 
O caminho é longo, e as pedras pontiagudas machucam o pé, mesmo que sigamos o pastor e sua lanterna de azeite. Mas, independente disso, o que carregamos de fato desse mundo é a sabedoria criada pela dor das pedras. Vencer as dores e perceber a intensidade da alma é o que faz do homem barro um sopro sábio, e é exatamente disso que Deus nos fala constantemente. 
 
Não há pecado em querer a carne quando se tem o maná. Isso faz parte da natureza humana. Pecado é maldizer a Deus por ter somente o maná e desejar apenas a carne das codornas. Há que haver o equilíbrio do desejo e da satisfação para que Deus opere em nossas vidas, tornando-nos santos. 
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s