Dia 33 – Virtudes e Pecados

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Levítico, 16:20-22 – (20) Quando Arão houver acabado de fazer expiação pelo lugar santo, pela tenda da revelação, e pelo altar, apresentará o bode vivo; (21) e, pondo as mãos sobre a cabeça do bode vivo, confessará sobre ele todas as iniqüidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, sim, todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á para o deserto, pela mão de um homem designado para isso. (22) – Assim aquele bode levará sobre si todas as iniqüidades deles para uma região solitária; e esse homem soltará o bode no deserto.

 

Assim se faz: somos colocados no mundo sujeitos aos desejos de cada um daqueles que compõem a comunidade na qual estamos imersos. Somos criados a partir da sujeira do barro e da limpeza do sopro, numa dualidade que nos define como seres. A Deus, resta o desejo de que usemos nossas chances de tornarmo-nos santos pela condução de uma vida baseada no bem e nas leis de Deus. 

 
Aqui e ali somos convidados à sala das virtudes e dos pecados. Diametralmente distantes, são expressões efêmeras de nossas vidas. Assim como a virtude não se alimenta de si própria, precisando ser diuturnamente renovada para que se consolide, o pecado igualmente não define aquilo que somos, mas demonstram uma parcela de nossas personalidades. Ninguém é eternamente virtuoso nem eternamente pecador. 
 
O pecado não nos define, mas a coletânea deles e nosso comportamento frente aos nossos erros. O pecado precisa ter uma relação com aquilo que imaginamos do mundo e, processo etéreo, ele decorre de uma decisão, consciente ou não, de sua execução. Independentemente dessa consciência, precisamos ter claro que somos sujeitos a tais e precisamos conscientizar-nos dos males causados por eles para, arrependidos, evitarmos a reocorrência. 
 
Todo pecado está relacionado, em última instância, a nossos relacionamentos quer com Deus, com os irmãos, quer com os convivas, quer conosco mesmo. Deus espera de nós um comportamento santo, baseado em sua própria santidade. E tal santidade está na aplicação de uma tríade de virtudes intelectuais, comportamentais e conscientes, que é o amor, a justiça e o respeito. O pecado é a ação que subjuga a essas pedras. 
 
Somos seres imperfeitos, e o somos pois nascemos com a maior das dádivas, o sopro do próprio Deus e construímos a nossa sabedoria durante o caminho. Assim, somos passíveis de erros graves de avaliação na execução da tríade de pedras e disso surge o pecado. 
 
Deus compreende e é misericordioso na avaliação daquilo que fazemos e o reflexo naquilo que somos. A sua misericórdia é o exercício da bondade de Deus que compreende a construção de nossa sabedoria pelas pedras dos caminhos e os descaminhos são os desvios que, débeis, tomamos. Da mesma forma, ele é misericordioso com nossas virtudes, compreendendo que a debilidade é efêmera e que precisa, ao longo do tempo, construir a sabedoria do ser que retorna ao Deus que o criou, deixando a sujeira do barro para completar-se na limpeza do sopro. 
 
O animal do texto carrega os nossos pecados, desvios de conduta, para longe e, por isso, nos torna limpos. Ele é a compreensão suprema do fundamento que nos move, usurpando a maldade, a sujeira, que nos compõe. E Deus compreende que sempre haverá, boa ou má, uma razão. Mas a compreensão suprema da misericórdia de Deus de levar para o deserto o animal só se expressa quando confessamos a ele, o animal, nossos pecados e, com isso, despímo-nos do mal que carregamos amargamente no peito. Sem a compreensão e confissão deste mal, somos o próprio animal rumo ao deserto. O paralelismo do animal está na sua inconsciência, e sua não pertinência àqueles dotados do sopro e da voz interior para a compreensão plena da extensão do que fazemos. Sem a confissão, o reconhecimento do pecado, somos o débil animal preparado para o holocausto. Por outro lado, o reconhecimento nos traz de volta ao caminho da tríade de pedras que, pela misericórdia de Deus, despe-se do mal e retorna à sua jornada, colhendo a sabedoria e tornando-se melhor a cada dia. 
 
Como Deus, sejamos santos pela auto compreensão da efemeridade da virtude e do pecado. E, a este último, tornemo-nos mais sábios pela consciência de sua existência e arrependemo-nos transmitindo ao animal que se perderá no deserto. Como efêmeros, entendamos também que controlamos sua existência e, como novamente como santos, entremos nas salas do pecados mas o recusemos pois somente da defrontação com tentação emerge a força de resistir a ela. 
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