Dia 32 – Regenerando-se

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Levítico, 14:42 – depois tomarão outras pedras, e as porão no lugar das primeiras; e outra argamassa se tomará, e se rebocará a casa.
 
O mundo é entregue ao homem como página alva e sem rasuras, para nela escrever a sua história, conforme a sua consciência. O homem segue na estrada repleta de pedras e cercado por paredes espinhosas. Nesse caminhar, escreve essa sua história. 
 
Alguns escolhem seguir o homem de rosto encoberto com sua lanterna de azeite aromático para ao menos antever a dor da pedra na sola dos pés. Outros escolhem o caminho da escuridão onde, sem enxergar as dificuldades, prefere a surpresa das dores e reserva-se o direito da privação da angústia da consciência. 
 
Para Deus, não nos cabe discutir ou julgar quais os certos ou errados mas, segundo nossa própria decisão, escolher qual forma percorrer o caminho. O melhor homem não é o que escolhe um ou outro, mas aquele que se compreende homem e abrange a dimensão perfeita do quão santificado ele é pelo exercício da própria vida. Deus escolhe para si a todos, conscientes ou não, que percorrerem o caminho. Independente de nossa profissão de fé, mesmo aquela que não a confessa, Deus nos concebe como parte integrante Dele.
 
No caminho nada é único, firme e eterno. Tudo o que ocorre é passageiro e, por isso, as charcas obtidas pelas quedas, pelos amores e ódios, tudo é passível de reconstrução. O homem é um ser vivo, volúvel e frágil, mas que se reconstrói. Sua pele, assim como a sua alma, se regenera conforme a sua necessidade, compulsoriamente. À vontade do homem cabe somente a compreensão de sua dádiva, mas a regeneração se dá pela vontade suprema de Deus de tornar-nos resistente àquilo que nos cerca. 
 
Deus é um ser supremo, e tudo a ele relacionado é igualmente supremo. Somos divindades espalhadas em um mundo que nos cerceia e, cerceando, nos alimenta com a sabedoria da regeneração. Involuntariamente nossos corpos e almas se reconstroem mesmo ante a mais devastadora queda nas pedras do caminho. Independente da luz da lanterna e do aroma do óleo sagrado, as quedas são severas e os danos profundos. A dor é como faca na carne, mas somos capazes de nos levantarmos e nos reinventarmos. 
 
Deus nos sopra a vida e a verdadeira salvação é devolvê-la depois de absorver a sabedoria das pedras do caminho. A luz e os aromas são a opção que nos é dada para que possamos compreender e aprender mais, mas a verdadeira saga está em chegar ao final do caminho, onde devolvemos o sopro à sua origem. 
 
As quedas nos rasgam as carnes, mas elas se regeneram. As dores nos mutilam a alma, mas ela é infinita e eterna.
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