Dia 30 – O Óleo Espargido

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Levítico, 8:30 – Tomou Moisés também do óleo da unção, e do sangue que estava sobre o altar, e o espargiu sobre Arão e suas vestes, e sobre seus filhos e as vestes de seus filhos com ele; e assim santificou tanto a Arão e suas vestes, como a seus filhos e as vestes de seus filhos com ele.
 
O óleo é o resultado da poesia do perfumista que, qual alquimista, criou uma solução que representa o próprio Deus. Ele não se valeu de nada que não fosse natural, que não estivesse ali à sua mão e, agindo assim, Deus reconheceu que aquele néctar do mundo era o carreador de sua sacralidade na unção dos sacerdotes. 
 
Deus criou o mundo, e nele depositou a raça que possui o seu sopro nas entranhas. Neste mundo, e não só no homem, existe uma parcela de pensamento criador de Deus, e sobre todas as coisas é depositada a essência dEle, o seu sagrado elemento. E Deus, como onipotente, é aquele que também contém o mundo todo e somos parte integrante de sua essência. Vivos, na Terra, resta-nos avançarmos e evoluirmos para compreendermos de que se trata a voz. 
 
Sacralizar espargindo é derramar sobre eles, homens e vestes, a essência de Deus que se consolida na formulação alquimista perfumista. Deus não está somente no óleo, mas em todas as coisas. Mas ali nós, débeis seres de barro providos do sopro, reconhecemos ritualisticamente a sua presença pela integração do ato com o mandamento de Deus. E esse é o  limiar que nos convida a estarmos em sua presença. 
 
Como já foi dito, Deus não se altera pelo ritual. Mas ao homem emplaca o fato que reverbera o Deus que ele, míope, não reconhece em todas as coisas. A adoração ao bezerro de ouro foi a prova cabal da necessidade ritualística do homem pois agoniava-se em esperar o retorno de Moisés do Monte Sinai com as escrituras. Deus criou rituais os quais, secretamente, descrevem como Ele mesmo é de fato e despeja sua sabedoria sobre nós. A sacralidade está no óleo pelo desejo expresso do homem de ver a Deus naquele líquido, e também pela utilização da alquimia das coisas do mundo para, sinergicamente, representar a complexidade de Deus. 
 
As vestes e os homens do sacerdócio não são o próprio Deus, e portanto não devem ser adorados. Mas a expressão deles é o próprio Deus e, através da sua dedicação à perpetuação da compreensão das extensões de Deus, enxergarmos aquele que nos remete ao centro de nossas almas. Deus, reflexo de si próprio, tem o mundo inteiro encerrado em si. As folhas, os cheiros, as águas, os pássaros e o próprio mundo, tudo está encerrado dentro da gigantesca seara que é Deus. 
 
Ouvindo a voz, conscientizamo-nos que somos partes integrantes, e que nunca deixamos de ser. Os rituais e os sacerdotes ensinam-nos a compreendermos o que nos diz a voz. 
 
Um mundo, um Deus, um único ser. Nossa diversidade é a expressão da unidade que partilhamos. 
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