Dia 29 – Reconhecendo a Culpa

Imagem

 

Levítico, 5:5 – Deverá, pois, quando for culpado numa destas coisas, confessar aquilo em que houver pecado.

Não há na verdade nada além daquele mundo em que vivemos, reclusos, dentro da sala de nossas vozes. Ali, deixamo-nos, compreendemo-nos e compartilhamos com nossa consciência o prazer e as dores da vida que vivemos. Fora dali existe um mundo onde atuamos, dizemos aquilo que nossa censura permite, e compartilhamos com os irmãos uma vida em que refletimos o que acontece naquela sala. Deus é a voz anterior à nossa voz que, escutando a primeira, permite que tomemos os caminhos que o coração partilha, o do bem.
Deus espera de nós que, ali reclusos, ouçamos a nossa voz e que essa voz seja reflexo daquilo que Ele sopra em nossos ouvidos da alma. E com essa atitude, que repliquemos ao mundo as verdades incontestes dessa opção pelo amor superior, pelo amor do próprio Deus.
As tentações, aquelas cenas cotidianas que desvirtuam as nossas escolhas e que nos encaminham por alamedas dolorosas, sempre existirão e sorrateiramente tomarão conta, mesmo que momentaneamente, de nossos mundos. Essa é uma realidade e negá-la é infantilidade sem razão. Perseverar nessa negação, é a humilhação do não reconhecimento dos próprios limites.
Deus preocupa-se com isso. Dá a guia, mas também, conhecendo-nos, sabe de nossa debilidade e invariável convergência ao caminho errado. Ele sabe que somente é possível reverter à concessão da tentação pela remissão, confissão, aceite da culpa. O termo confissão vem do latim confiteri que quer dizer aquele que tem conhecimento da culpa, ou seja, aquele que reconhece o desvio, assume-o e aceita as consequências de seus atos. O ser humano, possuidor de uma pequena fagulha de Deus, é um ser falível e, além de aceitar a própria falibilidade, compreende a consequência dessa capacidade e os seus erros. Somente é passível de um julgamento justo aquele que reconhece a verdade sobre o fato independentemente do temor da condenação.
Muitas vezes somos tentados, assim como no princípio, a criar subterfúgios para ludibriar o julgamento, mas o fato que pesa, sem dúvida, é que no quarto escuro conhecemos a verdade de fato. Lá, e somente lá, nos é imperativo que reconheçamos a culpa e, a partir de sua consciência, tomemos as medidas para que sejamos justos conosco mesmo e com quem nos cerca. O pecado em si é um fato temeroso, mas encobri-lo em nossa intimidade é mentir para aquele que nos aceita a qualquer preço, tanto Deus como nós mesmos.
Deus, como ser superior e divino, é misericordioso. A Ele cabe a compreensão de todos os fatos, de todas as circunstâncias e condições, e Ele tem o poder de mergulhar fundo na intimidade de nossas verdades. Não é possível não encará-Lo, pois Ele tem o poder de conhecer a tudo e a todos, inclusive a verdade que escondemos dentro de nós mesmos. Assim, o maior beneficiário da confissão do pecado é o próprio pecador, pois conscientiza-se da justiça necessária e as circunstâncias que a define. A Deus resta disso a elevação do pecador que, aos poucos, compreende a intensidade da voz que lhe cala fundo, na sala de suas vozes.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s