Dia 27 – Sacro e Divino

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Êxodo, 40:34 – Então a nuvem cobriu a tenda da revelação, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo
 
Os quarenta anos no deserto, segundo o livro do Êxodo, foram extremamente simbólicos. Nesse período, interagindo com Moisés, Arão e todos os artistas que compunham a campanha hebreia retornando para sua terra e, ainda, depois da experiência do boi de ouro no pé do Monte Sinai, Deus optou por criar os rituais de sua adoração. 
 
Ele não precisa, como ser superior, dessa ritualidade. Em toda a sua essência ele carrega uma perfeição e, como tal, se completa em si. Nós, por outro lado, carregamos o sopro mas também o pecado potencial do livre arbítrio no mundo de tentações. O homem, criatura, é um elemento dual do bem e do mal, do pecado e da graça. O ritual nos torna de livres para o pecado em optantes pela divindade que nos compõe. Nunca haverá nenhum ritual maior que o Deus pois, perfeito em essência, é o maior de todos e em tudo. Pelo ritual e desígnios de sua vontade, optamos por integrar essa sua perfeição. Nossa união não O torna mais, mas deixa de ter-nos como menos. 
 
Atendendo a todos os seus desígnios, em cada pequeno detalhe, Moisés e os seus criaram a sacralidade que acoberta não só aquele espaço do mundo, mas o mundo todo. Através do sacro da Tenda das Revelações, e também de cada um dos itens que a compõe, Arão é capaz de exercer o sacerdócio que auxilia Deus na condução de sua lanterna para que todos enxerguem os caminhos de suas vidas. 
 
Aqui essa ciência que compreende o entendimento do Deus único nos mostra uma grande verdade. Deus nos conduz, mas também tem aqueles que são dotados de uma excepcionalidade que os capacita a compreender e a voz que os define. Os sacerdotes não são mensageiros de Deus, mas aqueles que compreendem a voz que lhes fala no côvado de suas solidões. A compreensão de Deus é um dom, nem superior nem inferior, mas um dom de Deus para que sua verdade seja revelada e sustente a opção de cada um por seguir o caminho das suas vidas. 
 
O próprio Deus disse a Moisés, no Monte Sinai, sobre a adoração. Suas palavras, como advindas de sua perfeição, sobrepõe a nossa compreensão e o exercício mental é intenso para compreender a sua profundidade. A mim me é claro que a sacralidade não está na Tenda, nem nos itens, nem mesmo no sacerdote e suas palavras, mas no Deus que está profundamente arraigado em cada ponto daquele lugar. Sacro é Deus, não os homens e suas expressões. A adoração não é a eles, mas a Ele. Entretanto, a voz está obscura nos cantos de nossa alma, e a Tenda, os itens e o sacerdote são aqueles que despertam o desejo de completar e ir além de nossas fronteiras. 
 
Somos todos um, e Nele nos completamos. Os dons são esparramados pelas terras para que descubramos de onde viemos e a que exatamente pertencemos. Tendas, itens, sacerdotes, todos eles somos nós mesmos além dos limites de nossos olhos. Por eles, descobrimos o Deus que nos permeia e nos torna o povo. Os rituais não são os fins, mas a energia para que a explosão da descoberta do eu se dê e, portanto, são essenciais para o movimento. A eles cabe ajudar Deus a segurar a lanterna que ilumina os nossos caminhos.
 
Os lugares, itens, rituais e sacerdotes são divinos por expressarem um dom de Deus que nos coopta para pertencer. Sacro é o Senhor, e somente Ele é adorado. Nos divinos, descobrimos a essência e, compreendendo-a percebemos que eles estão em tudo do mundo, pois Deus é o mundo todo.
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