Dia 23 – No Topo do Monte

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Êxodo, 24:12 – Depois disse o Senhor a Moisés: Sobe a mim ao monte, e espera ali; e dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos que tenho escrito, para lhos ensinares.

 

A vida é sempre cheia de nuances. É preciso ouvir a voz, subir o monte,  esperar, pegar as tábuas e ensinar as leis. Assim como a Moisés,  somos convidados a realizarmos o mesmo ritual e, ao final, ensinarmos aquilo que aprendemos.

 

Primeiro, é preciso ouvir a voz. Ela reverbera dentro da alma onde mora o nosso eu, aquele ser que habita sem tocar, gere sem mandar, que reina sereno sobre nossas emoções.  Lá naquele lugar onde temos apenas a nossa voz,  experimentamos a presença de Deus quando nos fala e nos convida a percebermos seu sopro.

 

A seguir somos chamados a subir o morro, esforço de ouvir a voz e compreendê-la de forma a transmutar nossa essência. O esforço tesa os músculos impulsionando o corpo ao cume, onde encontrará a Deus. Nesse momento temos que ir além de nossa essência e, num esforço hercúleo levar o nosso eu àquele lugar onde está o próprio Deus, parte integrante de quem somos.

 

Cansados, exaustos e solitários,  precisamos sentar na pedra e conversarmos com nosso eu para compreendermos tudo que passamos até ali. A solidão e a espera são a razão e o momento reflexivo para entendermos de onde vem a força que nos levou até ali. Nesse exato momento nos deparamos com nossa história e buscamos entender a extensão de nossa interação.  Aqui nossa fé é desafiada. Somos colocados no canto e os extremos da razão questionam se tudo é factual ou apenas uma visão insalubre de nossa mente. Vencendo as tentações da incompreensão,  a imagem de um Deus real se solidifica e a paz supera a angústia. Finalmente tornamo-nos nós mesmos, desafiados e vencedores do pecado.

 

Aqui, nas águas calmas de nossa paz, depois da tempestade,  Deus nos aparece e entrega-nos as tábuas cravadas onde lê-se aquilo que é esperado de nós.  Ali, Deus descreve a moral que nos guia e penetra fundo na nossa alma, tornando-se nós mesmos.

 

Compreendendo isso, descemos o monte e levamos a todos a nossa experiência, compartilhando a beleza de ser vivo e dividir a existência com um Deus que, ao final,  somos nós mesmos. Aqui estamos prontos a mostrar a todos de que barro e sopro somos feitos,  bons e maus, felizes e tristes. Enfim, mostramos a complexidade de sermos humanos, completados pela beleza da divindade que reside em nós.

 

Mirar o mundo do pé do monte,  após o retorno e redesenho de nossa vida, é o momento de êxtase que faz compreendermos que a vida, afinal,  vale muito a pena.

 
Presente de Deus. Aceite do homem. Cor do mundo.
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