Dia 22 – De Amor e de Justiça

Imagem
 
Êxodo, 22:21 – Ao estrangeiro não maltratarás, nem o oprimirás; pois vós fostes estrangeiros na terra do Egito.

 

Êxodo, 23:2 – Nao seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda darás testemunho, acompanhando a maioria, para perverteres a justiça;

 

A ideia central sobre todo preceito teológico é que Deus é um ser superior, e a face maior dessa superioridade se expressa por sua capacidade ímpar de ser justo.

 

Primeiramente,  é preciso compreender que a história descrita na Bíblia refere-se à dos descendentes de Abraão. Apesar disso, Deus se coloca como uma divindade cuja extensão cobre o mundo todo,  inclusive sobre aqueles que extrapolam os limites de um povo. Deus é um ser inclusivo, não excludente. O estrangeiro também é filho de Deus e sua relação está além dos rituais realizados por um ou por outro. Aceitar o estrangeiro é, em substância,  aceitar as diferenças culturais e perceber que a consciência de Deus é superior à expressão professada e o povo é único, em todas as terras. 

 

Outro ponto fundamental sobre a justiça divina é que a razão não é julgada pela adesão,  mas pelo fato em si. Muitas vezes temos a tendência de seguir caminhos de moda, ou análises pela conveniência do compartilhamento com muitos sem analisar a fundo a essência que o direciona.  Deus nos dotou de uma capacidade analítica para que, baseados em nossas experiências e a consciência da voz interior,  buscarmos sermos justos com quem carece. Muitas vezes a turba segue seus instintos primitivos e não o coração misericordioso que se espera daqueles que optam por perceberem Deus em si mesmos..

 

A execração pública é sumária pois não dá voz à defesa.  Seguir o rebanho não é construir o caminho, mas deixar-se levar por aqueles que querem suplantar o direito individual do julgado. E essa atitude, em suma, subverte a humanização das relações.  Desde o princípio dos tempos carregamos uma parte de Deus conosco, e podemos optar por seguir a Deus. Ele sempre reverberará os clamores,  ouvirá argumentos e a clemência por justiça,  mas sempre tomará suas decisões pelo fundamento lastreador da justiça,  e nunca para seguir a maioria.

 

O que falta ao mundo não é o amor, pois ele norteia a própria preservação da raça.  Por ele crianças nascem,  bem ou mal, e tornam-se o rebanho de Deus.  Ano após ano, somos mais e mais coesos na definição e preservação de nossa raça.  Sim, acredito no homem como o possuidor da tocha que ilumina o mundo e incendeia os campos para que ele se ilumine. Muitas vezes o amor desse homem se restringe a si próprio,  às vezes ao mundo todo, mas ele sempre está lá.  O que falta ao mundo, isso sim, é essa justiça baseada em preceitos e não em maioria. O exercício do estado se dá pela maioria, já a justiça se dá pela análise de fatos frente a preceitos e aqui não há espaço para determinação de caminhos curtos. O justo é justo por ser compatível com aquilo que estabelecemos como aceitável.

 

Quando Moisés criou os conselhos que julgavam as relações de seu povo, estabeleceu critérios norteadores das relações.  Justiça é analisar as nuances dos fatos e não a opinião da maioria. Podemos, em maioria, criar leis. Julgar, julga-se pela lei estabelecida e não pela turba gritando.

 

Para termos um mundo melhor é preciso que transmutemos o amor em uma arca que abarque o mundo todo mas, principalmente,  é preciso que aprimoremos as leis justas e deleguemos aos juízes a aplicação dela. Se cada um de nós negar-se à turba destruidora, ela irá se calar e a justiça será feita.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s