Dia 19 – O Retorno Prometido

deserto
Êxodo, 13:2 – Santifica-me todo primogênito, todo o que abrir a madre de sua mãe entre os filhos de Israel, assim de homens como de animais; porque meu é.

Deus cumpriu sua promessa e levou seu povo à Terra prometida. A insistência em não aceitar a diversidade cultural dos hebreus em seguirem ao deserto para cultuar o seu Deus, levou o Faraó à sua dor maior perdendo seu primogênito durante a Páscoa judaica. Deus, usando seus servos Moisés e Arão, deu seis oportunidades ao Faraó para aceitar a diversidade do povo que por mais de quatrocentos anos contribuíram para a grandeza do Egito, mas a dureza de seu coração o impediu de compreender a necessidade daquela celebração.

Em sua Páscoa, Deus ceifou a vida de todos os primogênitos daqueles que não tinham em seus portais as marcas do povo escolhido de Deus.  A dor extrema do povo egípcio levou à saída de mais de quatrocentos mil hebreus que, entre todas as suas propriedades, levaram também os ossos de José para à sua terra natal.

Deus pede a seus filhos que lhe dediquem seus primogênitos. A ideia central dessa dedicação é que o primogênito é aquele que inaugura a geração da vida na família, aquele que abre um novo tempo e dedicá-lo a Deus é garantir que os preceitos morais serão mantidos.

Neste momento é criado o rito da Páscoa judaica,  quando Deus estabelece a celebração da preservação da vida e, principalmente, o cumprimento da promessa de Deus de que todos retornariam ao seio de sua terra. Este é um ponto fundamental em toda a religião hebraica que desembocará no cristianismo: a saída e o retorno do povo de Deus.

José saiu de sua terra não só em decorrência do ciúme de seus irmãos, mas principalmente para atender aos desígnios de Deus e, compreendendo os sonhos do Faraó,  administrar a abundância para que a seca fosse suportável.  Assim, a dor do exílio se deu para a bondade da preservação da vida. Cumprida a sua tarefa,  retorna para seu leito e, nele,  se estabelece como nação para ser a própria história.

A história do povo de Israel é exatamente como a nossa própria: nascemos do sopro divino e a ele retornaremos, mas no ínterim seremos exilados para uma terra estranha à nossa natureza para que nela pratiquemos o bem. Não será curta e será entremeada por milhares de fatos, bons e ruins. Mas retornaremos e essa é a consciência que nos faz compreendermos a razão de nós mesmos no mundo.

Entre a chegada ao exílio e o retorno ao deserto antes de adentrar à nossa terra natal, somos acometidos por felicidades, medos e angústias.  Todos esses sentimentos engrandecem ou amedrontam, mas não consomem  pois estamos fadados ao retorno. Essa é a promessa de Deus que permeia a consciência e percepção de sua existência.

Tais como para com os hebreus, o coração do Faraó será duro conosco não permitindo-nos irmos ao deserto. Na vida nos será furtado o direito de sermos quem somos, mas a marca em nossos umbrais nos fará convidados à ceia pascal, e membros da manada de homens rumo à terra que nos é dada.

A vida é assim: somos exilados por quatrocentos anos, e temos que batalhar para retornarmos.  Será preciso atravessar o deserto.  Mas Deus prometeu, e retornaremos salvos para o pulmão que nos soprou a vida no mundo.

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