Dia 17 – Homens e Tijolos

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Êxodo, 5:8
Também lhes imporeis a conta dos tijolos que dantes faziam; nada diminuireis dela; porque eles estão ociosos; por isso clamam, dizendo: Vamos, sacrifiquemos ao nosso Deus.
 
Moisés e Arão, seguindo a instrução de Deus, foram ter com o Faraó. Pediram-lhe que liberasse seu povo por três dias para que cultuassem Deus no deserto. Naquela época, tendo ficado para trás todo o bem que José havia feito, os hebreus tinham um papel social de escravos, fabricando tijolos de barro e palha. 
 
Naquele processo,os egípcios colhiam a palha e entregavam aos hebreus e estes fabricavam o tijolo. 
 
O Faraó entendeu que o desejo do povo hebreu de ir para o deserto e prestar honrarias a Deus era um sinal de que eles estavam com tempo demais e estavam se entregando a algo menos importante que a fabricação. Por conta disso, barrou a colheita da palha e exigiu que os hebreus fabricassem seus tijolos e, ainda colhessem a palha. Se tinham tempo para cultuar a Deus, tinham tempo para trabalhar mais. 
 
Deus é, antes de tudo, um ser justo. E sua justiça foi entregue para o homem em seu sopro divino e todos os homens conseguem perceber a justiça. O livre arbítrio, por outro lado, força muitas vezes para que o senso de justiça seja direcionado muito mais ao indivíduo que à sociedade onde ele está inserido e este é, sem dúvida, um dos maiores pecados da humanidade: não compreender que a justiça é um vaso aberto, e não um conceito hermeticamente fechado para a proteção de seus próprios interesses. O Faraó olhou o desejo dos hebreus não como uma expressão social deles, um direito legítimo, mas como uma falha deles para com suas obrigações para com a sociedade egípcia.
 
Segundo o Faraó, a expressão da graça, obediência e gratidão a Deus não era uma expressão cultural e parte integrante da vida daqueles homens, mas uma declaração de desperdício de tempo, que não gerava mais capital. Desde aquela época, a ideia central do exercício do poder era garantir o máximo de cada um visando o enriquecimento do próprio poder, muito próximo do que temos em nossa sociedade atual. 
 
Deus, por outro lado, tem bem claro em si seus desígnios. Ele, através do dom de José, operou para a preservação da sociedade egípcia e, agora, agia atendendo ao clamor do povo para que fosse para a sua terra, e nela crescesse sem a tirania da escravidão imposta a eles. A mesma justiça salvadora para egípcios estava agora voltada para a pacificação dos hebreus. Os tijolos, para Deus, eram apenas tijolos. Já os homens, para Deus, serão eternamente homens e, como tais, dignos da honra de serem protegidos por Ele.
 
O povo de Israel, Jacó, merecia ter para si a terra prometida a Abraão e, para isso, era preciso convencer o Faraó a abrandar o seu coração, e permitir aos hebreus o seu direito a cultuar o seu Deus. Muito interessante no final do Gênesis e também agora no Êxodo que Deus não quer que os descendentes de Abraão aumentem seu rebanho senão pela descendência, mas antes, que lutem pelo direito de livre expressão da fé que professam. Deus não busca tocar o coração do Faraó para que creia Nele, mas o toca para que compreenda a importância do culto do povo hebreu. Neste caminho, muitos percebem a grandiosidade de Deus e se tornam parte de sua família, mas jamais pela força, mas sempre pelo bem. 
 
 
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