Dia 16 – A Sarça que Arde Sem Consumir-se

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Êxodo, 4:31
E o povo creu; e quando ouviram que o Senhor havia visitado os filhos de Israel e que tinha visto a sua aflição, inclinaram-se, e adoraram.

A paz é um estado e não uma pedra consolidada.  José foi responsável pelo alimento de todo o povo egípcio e também da própria casa de Jacó.  Entretanto,  as gerações se seguiram e o povo egípcio chegou a um ponto que se revoltou em relação ao povo hebreu que habitava as suas terras como herança do bem de José.

O próprio Faraó ergueu sua ira contra os hebreus,  escravizando-os e corrompendo as parteiras para matar os filhos homens das mulheres hebreias. Dentre elas a serem violadas, a mãe de Moisés o colocou em um cesto, encontrado pela filha do Faraó. Ela criou Moisés como sendo seu próprio filho. Moisés cresceu e, revoltando-se contra a escravização do povo hebreu pelos egípcios, atentou contra a vida de um deles e fugiu para Canaã. 

O povo clamou a Deus pela paz e Ele os ouviu. A paz construída pelo dom de Deus nos corações dos que coabitavam não foi alimentado e disso surgiu o rancor e o desprezo pelo próximo.  Deus,  mais uma vez, ouviu e interviu.

Deus apareceu a Moisés na sarça que queimava e não se consumia. Explicou seus desígnios, e Moisés não se sentiu apto a realizar aquele desejo de Deus. Mas foi tocado e seguiu para o Egito para libertar o seu povo.
As relações dos homens são, na maioria das vezes, guiadas pelos interesses. O Faraó havia tido um sonho, e somente o hebreu José soube interpretar e, interpretando, agiu para que o povo não sofresse com a fome. O Faraó e todo o povo foi-lhe grato e recebeu de braços abertos a família toda de José, que era a família de Jacó. Mas o tempo passou, e o amor e a devoção de gratidão também esvaiu-se. Não foi alimentado o amor da coexistência, e os cercos se fecharam sobre o povo que ajudou a salvá-los da fome. Os egípcios se voltaram contra e escravizaram aqueles que os salvaram, gerações atrás.
A paz e o amor que fazem os povos tornarem-se unidos devem ser alimentados cotidianamente. Eles não são pedras sólidas, mas conceitos que direcionam as atitudes. Deus é a chama que não consome a sarça, ou seja, ele não é um efeito físico perceptível, tateável, mas uma chama que ativa o nosso senso, e nos aguça o pensamento, a vontade, para que realizemos a obra. A Deus, criatura perfeita e única, não é reservado o trabalho, mas ao homem que constrói a própria história. Deus é a imagem do fogo na sarça, mas a chama, o calor que consome fisicamente, esse é Moisés. Deus operou não interferindo, mas provendo o desejo e os caminhos para a salvação do bom povo hebreu, que amou através do dom de compreensão de José que, em última instância, era o próprio dom de Deus.
É importante ressaltar que Deus, cumprindo a sua promessa, preservou o mais importante dos seus dons: o sopro da vida. Quando com Abraão, Deus lhe prometeu uma terra, e o êxodo de Moisés é o retorno do povo à essa terra que ficou para trás para salvar da fome o povo egípcio. Deus poderia muito bem ter propiciado aos hebreus, numerosos e em crescimento, as armas para dominar o povo Egípcio. Mas ele não operou assim. Ele irá, ao longo de toda essa história, levar seu povo à sua terra e, mais que isso, prover ao povo egípcio sua própria terra. Deus, assim, preserva o sopro não só dos seus, mas também dos pagãos, mostrando a sua misericórdia que extrapola os limites de seu povo escolhido.
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