Dia 10 – O Ciclo Sempre se Fecha e Reinicia.

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Genêsis, 33:10
Replicou-lhe Jacó: Não, mas se agora tenho achado graça aos teus olhos, aceita o presente da minha mão; porquanto tenho visto o teu rosto, como se tivesse visto o rosto de Deus, e tu te agradaste de mim.
 
 
Mesmo depois de seus erros e os de sua mãe, e consciente de seu erro pela servidão a Labão, Jacó retorna aos braços de seu irmão. O medo de encontrar não um irmão, mas um adversário, fê-lo criar estratégias para manter a vida de suas esposas, filhos, servas e rebanhos. Anunciou a chegada, e na resposta soube que Esaú viria ter com ele junto a quatrocentos homens. 
 
Jacó confundiu sua comitiva com um exército e preparou-se. Mas Esaú veio em paz, abraçou-o e beijou-o. Seu coração atento a Deus falou mais alto que qualquer coisa, e soube perdoar pois viu e acompanhou em espírito o sofrimento de sua própria carne em Jacó. 
 
A vida desses dois, Jacó e Esaú, as suas fraquezas em se deixarem carregar pela sedução da vida e do poder, fez com que se separassem por toda a vida, deixando de compartilhar a essência familiar. Entretanto, a distância e o ódio jamais os separaram e, numa iniciativa do pecador Jacó, retomaram a vida e tornaram-se um só rebanho. 
 
Romper com os laços da individualidade e garantir que os laços eternos se fortaleçam é um desafio. E Deus nos provê do livre arbítrio capacitando-nos a desenharmos nossos caminhos, juntos ou separados. Nem sempre a distância nasce do desejo, do pecado, da traição, mas dos ventos que sopram nas velas e que carregam as naus para longe. Mas para Deus, essa distância é ínfima pois ele é todo o infinito, e a distância, assim como a aproximação, é a decorrência da vontade. Nada é impossível, e nem nada é longe. Os corações são quentes ou frios, dependendo do seu desejo de sê-lo. 
 
Descobri em minha vida muitas verdades e também, confesso, guardei algumas somente para mim. Acredito que o desenrolar da vida é um eterno emergir-se da própria escuridão e vagar carregando vidas que dependem de nosso esforço e nossas decisões. Deus fica ali, no lugar onde somente ouvimos nossas vozes e, crendo, compartilhamos com ele. Mas em verdade, as decisões são solitárias e dependem enormemente da história que carregamos. Jacó deixou-se levar pela concepção de ludibriar seu pai para receber a benção no lugar de Esaú, e carregou consigo a culpa durante toda a vida até ver seu irmão chegar-se, abraçá-lo e beijá-lo. Seu retorno e o brilho de seus olhos demonstraram a Esaú que ele errou e se arrependeu. 
 
Mas a vida segue seu caminho e, voltando, mais uma vez Jacó se apartou de seu irmão que seguia a frente e fez sua barraca em um lugar distante da terra de Esaú. Sua decisão, ainda lastreada pelo medo do ódio de Esaú, fê-lo perder sua filha. Sim, sim, ele não perseverou no perdão de Esaú e rasgou a própria carne. 
 
Os ciclos da vida, entre alegria e tristeza, entre bonança e pecado, são dinâmicos, e o encerramento do perdão não encerra a vida. Ela continua, e com ela o circular dos feitos, entendidos e incompreendidos, bons e maus. 
 
Fomos feitos do barro, e somos imperfeitos. Somos dotados do livre arbítrio e não do conhecimento. O julgamento humano não compreende que a sabedoria é colhida com o tempo e a liberdade é um dom nato. Não há como acertar sempre pois simplesmente não dominamos tudo. E é por isso que somos eternos pecadores pois não temos todas as ferramentas para talhar a madeira da vida. 
 
Mas Deus provê, e sabe o sabor do coração. Ele sabe, e seu julgamento é firmado na consolidação de sua sabedoria. 
 
 
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