Dia 6 – Entregando-se a Deus

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Genêsis, 22:2
Prosseguiu Deus: Toma agora teu filho; o teu único filho, Isaque, a quem amas; vai à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um dos montes que te hei de mostrar.
 
O amor é a tônica de todas as histórias da Bíblia. Elas o desnudam em todas as suas formas e expressões e Deus, misericordioso e principalmente consciente das limitações do homem, o testa em seus limites.
 
Abrahão era, segundo uma promessa de Deus, um homem que teria uma grande família e ela se espalharia por toda a Terra. Entretanto, não tinha ele filhos com Sara, o grande amor de sua vida na Terra. Aos 100 anos de ambos, tiveram Isaque, a prova concreta de seu amor. 
 
Deus, buscando testar os limites do amor daquele pai e filho de Deus devoto, pediu-lhe para imolar Isaque em holocausto a Deus. Diferentemente de quando agiu com os anjos que vieram destruir Sodoma e Gomorra, ele em nenhum momento discutiu ou tentou argumentar com Deus, mas com o coração pesaroso dirigiu-se ao monte indicado e preparou o altar para o holocausto. Imagino aqui comigo a dor sem fim que lhe corroía, mas sabia que se era uma ordem de Deus, o era divino e, portanto, aquele seria o destino de seu amado filho. 
 
No exato momento, um anjo, não Deus, o interrompeu e lhe deu um cordeiro para oferecer, e assim o fez salvando Isaque. 
 
Deus o testou ao limite, verificando a sua obediência. Abraão se mostrou sobre-humano e um mito para todas as religiões monoteístas que seguem as escrituras. Talvez, tenha ido além do que qualquer homem iria.
 
Não devemos julgar Deus por isso, nem sua exigência. Deus é um ser consciente de nossos limites, pois o canto escuro onde ouvimos dentro de nós a nossa voz e também a Dele, só existe pois ele nos soprou nas narinas. Sim, nossos sentimentos, angústias, dores e alegrias, todas as emoções, tudo deriva daquele sopro que nos tornou vivos. E assim, também, com Abraão. A dor de Abraão é menor que a dor de Deus em Abraão, e a conjunção de ambos criou a tribo que somos. 
 
O amor extremo leva a salvação. Assim como Abraão, Deus entregou seu único filho em sacrifício.
 
Como dissemos lá atrás, do barro fomos feitos e ao barro retornaremos. Do sopro fomos feito e a ele retornaremos. O que Deus pediu a Abraão não foi para cessar a vida de Isaque, mas para devolver o sopro ao sopro. Isso talvez tenha sido a voz que disse Deus a Abraão em seu canto escuro. 
 
Essa foi a prova limite de Deus aos homens em todos os tempos. Esse tempo se foi. Dele ficou a lição de que a fé é algo que sobrepõe o homem, e o testa cotidianamente. Os desafios de Deus são limitados por nossa capacidade de enfrentá-los com o desejo firme de vencê-lo, empunhando o escudo que nos protege. 
 
Graças ao ato extremo de Abraão somos quem somos. Ele soube questionar para salvar os justos de Sodoma e Gomorra, mas também foi fiel para entregar a Deus seu dom mais precioso. Sejamos nós também assim, misericordiosos, fiéis e justos, assim como Deus o é. 
 
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